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O Assunto é Cinema – Revisitando o jogo Street Fighter

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Assunto é Cinema é um podcast produzido e apresentado pelos jornalistas Clayton Salles e Daniel Rockenbach. O programa fica disponível todas as quintas, às 20h (horário de MS), no Spotify da Educativa MS.

NOTA E CRÍTICA – Daniel Rockenbach

O Assunto é Cinema revisita “Street Fighter”, jogo de luta lançado pela Capcom em 1987. A trama acompanha dois jovens lutadores, Ryu e Ken, em um torneio de artes marciais pelo mundo. O jogador escolhe um dos dois personagens e parte em uma jornada por cinco países, enfrentando dois lutadores a cada parada até desafiar o atual campeão do torneio, Sagat, no Japão.

“Street Fighter” foi um projeto de Takashi Nishiyama, desenvolvedor de “Kung Fu Master” em 1984. Os jogos de luta mais populares eram os “beat’em up”, ou luta de rua, onde o jogador enfrenta dezenas de inimigos em um cenário até encarar um chefe de fase. O estilo um contra um de “Karate Champ”, também lançado em 1984, não fez tanto sucesso quanto os jogos de luta de rua e isso era algo que Nishiyama queria mudar. A ideia dele era pegar as batalhas contra chefes e fazer um jogo que colocasse o jogador para enfrentar apenas estes oponentes especiais.

A proposta evoluiu para adicionar movimentos especiais, comandos mais elaborados que apenas soco e chute ou a combinação do direcional com os mesmos botões de ataque para executar um simples ataque aéreo. Se o jogador executasse determinada combinação direcional com soco ou chute, ele teria um golpe especial, um ataque mais forte contra o oponente, bem mais estiloso e desafiador de executar que apenas ficar apertando botões. Essa proposta virou o embrião dos jogos de luta que foram se sofisticando mais e mais a cada geração. O Hadouken , o Shoryuken e o Tatsumaki Senpukyaku são golpes de Ryu e Ken que funcionam até hoje.

O projeto gráfico ficou por conta de Hiroshi Matsumoto que se inspirou no estilo dos mangás shonen da época para conceber os designs dos personagens e cenários. O trabalho de Nishiyama e Matsumoto deu ao jogo uma identidade e uma estética próprias, avançando tecnologicamente para muito além de clássicos como “Karateka” de Jordan Mechner ou “Kung Fu Master” do próprio Nishiyama. A trilha de Yoshihiro Sakaguchi tirava o que a CPU Motorola 68000 podia oferecer, em um jogo que já consumia muitos recursos. O nome do jogo veio do filme de ação japonês “The Street Fighter” de 1974, um sucesso de bilheteria dirigido por Sonny Chiba.

O impacto de “Street Fighter” foi grande no Japão e na Europa, mas tímido nos Estados Unidos. O mercado do arcade dava sinais de cansaço e a evolução dos consoles domésticos tirava o público dos fliperamas, principalmente os mais jovens. Na medida em que jogos de luta de rua saíam dos arcades para consoles, ficava mais difícil conceber o sucesso de um jogo como “Street Fighter” nos fliperamas, ainda mais para convencer o público de que jogos de luta um contra um podiam ser tão interessantes ou até mais que os convencionais “beat’em up”.

No Japão, onde a cultura dos arcades só enfraqueceu nas últimas duas décadas, o jogo fez sucesso o bastante para convencer a Capcom a não abandonar a fórmula, investindo em um hardware mais robusto para superar as limitações do jogo original. Depois de criar a placa Capcom Play System-1, a CPS-1, a Capcom passou a lançar seus jogos para fliperamas exclusivamente com essa tecnologia. Foi o caso do jogo de luta de rua “Final Fight”, em 1989, jogo conhecido nos bastidores como “Street Fighter 89” e que acabou se tornando um sucesso imediato. O retorno fez com que a desenvolvedora resgatasse a ideia de uma sequência para “Street Fighter”, voltando a insistir no formato de luta um contra um que ainda não havia feito tanto sucesso.

Takashi Nishiyama e Hiroshi Matsumoto saíram da Capcom ainda em 1987 para trabalhar na SNK onde eles teriam total liberdade para desenvolver o estilo de jogo que eles tinham em mente, já que a Capcom ainda não acreditava no sucesso de jogos de luta um contra um e preferiu investir no “beat’em up” tradicional “Final Fight”. Enquanto a Capcom direcionava a equipe de “Final Fight” para “Street Fighter 2” com os designers Akira Nishitani e Akira Yasuda sob o comando de Yoshiki Okamoto, Nishiyama desenvolvia “Fatal Fury” e Matsumoto criava “Art of Fighting”. Quando a Capcom apresentou ao mundo o sucesso arrebatador de “Street Fighter 2” em fevereiro de 1991, a SNK lançava “Fatal Fury” em novembro, e no ano seguinte, “Art of Fighting”.

O sucesso dos jogos de luta que se viu depois de “Street Fighter 2” resultou em um fenômeno cultural que voltou a atenção do grande público para os jogos, seja pelas vendas expressivas ou pelo debate em torno da violência nos jogos. O começo dos anos noventa se viu dividido entre Super Nintendo e Mega Drive, ou “Street Fighter” e “Mortal Kombat” e isso tudo começou com um promissor jogo lançado em 1987. O “Street Fighter” original era lento, trucado e narrativamente simples, mas já carregava consigo o embrião de um sucesso que perdura até hoje. Vale pelo valor histórico e a experiência de se poder ver onde e como a franquia começou.

“Street Fighter” está entre os jogos da coletânea “Street Fighter 30th Anniversary Collection” disponível para PCs, Playstation 4, XBOX One e Nintendo Switch, com versões disponíveis para as novas gerações destes mesmos consoles.

Nota: 7.

Confira o trailer da coletânea “Street Fighter 30th Anniversary Collection”:

 

Ouça o episódio revisitando “Street Fighter”, entre outras atrações, no Spotify da Educativa MS:

 

Foto em destaque: Divulgação.

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