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O Assunto é Cinema – Analisando a série Margô está em apuros

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Assunto é Cinema é um podcast produzido e apresentado pelos jornalistas Clayton Salles e Daniel Rockenbach. O programa fica disponível todas as quintas, às 20h (horário de MS), no Spotify da Educativa MS.

NOTA E CRÍTICA – Daniel Rockenbach

O Assunto é Cinema analisa “Margô está em apuros”, minissérie produzida pela A24 para a Apple TV. A trama acompanha Margô, uma universitária que se envolve com um professor e acaba engravidando. O caso encerra de vez quando ela decide ter a criança, contrariando o pai que prefere um aborto para evitar problemas com seu casamento e sua carreira. A gravidez complica a vida acadêmica e pessoal de Margô que vê suas dívidas aumentarem na mesma proporção que seus problemas. Quando tudo parecia perdido, Margô tem uma ideia que pode salvar o dia.

A produção é uma adaptação do romance homônimo de Rufi Thorpe que conta como uma jovem mãe solteira decide apelar para o site adulto OnlyFans como forma de levantar dinheiro para se sustentar e tentar dar uma vida melhor para Bodhi, o filho recém nascido. Margô é filha de Jinx, um ex-lutador da WWE, e Shyenne, uma atendente de uma loja de departamentos. No começo da série, Margô divide apartamento com Susie, uma fotógrafa obcecada pela cultura cosplayer e fã de WWE. Ao longo dos primeiros episódios, Jinx retorna para a vida da filha depois de sair de uma clínica de reabilitação para dividir o apartamento com Margô e Susie.

O romance lançado em 2023 foi eleito o livro do ano pela Amazon no ano seguinte. O sucesso entre os leitores e o reconhecimento da crítica logo chamaram a atenção das atrizes Elle Fanning e Nicole Kidman e do showrunner David E. Kelley que correram para adaptar o romance para as telas entregando em um prazo relativamente curto uma minissérie muito bem produzida. “Margô está em apuros” é uma comédia estilosa, leve e que até provoca questionamentos interessantes, mas ganha mesmo o público quando abraça a estranheza de seus personagens.

 O insólito mundo das e-girls é algo ainda confuso para grande parte da sociedade e a série tenta explicar tudo de uma forma leve e descontraída, sem necessariamente lidar diretamente com situações mais delicadas como os abusos que as plataformas escondem. A ideia de que Margô vende fotos de seu corpo em uma rede até criar uma persona alienígena para engajar a atenção do público geek é interessante justamente por ser uma forma direta de tentar contextualizar ao grande público o que é e como se consome esse tipo de conteúdo adulto. Não há intenção dos produtores de discutir detalhes ou levantar problemas, apenas apresentar o tema.

A premissa incomum já bastaria para chamar a atenção do público, mas a graça da produção está na família disfuncional de Margô. Shyenne é uma mãe irregular, que se preocupa mais consigo que com a filha. A interpretação de Michelle Pfeiffer é solta, sem medo de parecer cafona e espontânea quando se assume protetora. Jinx é um lutador aposentado, cujas glórias do passado ficaram para trás, assim como seu casamento com Shyenne e o relacionamento com a filha. Nick Offerman entrega no papel uma atuação sincera, franca, que até faz rir, mas mais pelo insólito que pelo humor, propriamente dito. Ele e Shyenne são guias moralmente confusos para Margô e isso resulta em situações inusitadas, que rendem boas risadas em vários momentos.

Elle Fanning interpreta Margô tentando se encontrar no meio do caos que sua vida se tornou com a maternidade inesperada. Seu reencontro com sua família incomum marca a virada em que a personagem assume sua estranheza, criando a persona alienígena que Margô vira para vender seu trabalho adulto. Após ela se aceitar como uma pessoa tão estranha quanto seus pais, sua vida se encaminha naturalmente. Essa virada é o ponto alto da série que ainda traz personagens carismáticos como Kenny, o noivo de Shyenne interpretado por Greg Kinnear, e a advogada Lace, a ex-lutadora de WWE e advogada interpretada por Nicole Kidman.

Além do elenco repleto de estrelas, a série investe bem os valores da produção na fotografia e nas cores, principalmente nos momentos em que Margô começa a criar sua nova persona alienígena para as plataformas. O elemento da cultura cosplayer da personagem Susie interpretada por Thaddea Graham rende um figurino exótico, algo que combina bem com a estética dos lutadores da WWE. A trilha sonora que mescla músicas pop com composições de Nathan Micay combina bem com a estética proposta pelos produtores.

“Margô está em apuros” é uma minissérie que diverte pelo insólito, com uma protagonista interessante, rodeada de personagens carismáticos nas suas estranhezas. O roteiro do showrunner David E. Kelley com Eva Anderson é competente na adaptação do romance da escritora norte-americana Rufi Thorpe, ainda que com algumas diferenças pontuais. O resultado final é uma minissérie leve, ainda que lide com temas delicados para grande parte da sociedade.

“Margô está em apuros” está disponível na Apple TV.

Nota 8.

Confira o trailer da série “Margô está em apuros”:

 

Ouça o episódio analisando a série “Margô está em apuros”, entre outras atrações, no Spotify da Educativa MS:

 

Foto em destaque: Divulgação.

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