A Copa do Mundo costuma mobilizar torcedores, seleções e países inteiros. Mas o futebol também atravessa a literatura. Ao longo das décadas, escritores como Nelson Rodrigues e Eduardo Galeano transformaram o esporte em personagem de crônicas, ensaios e reflexões sobre identidade, memória e comportamento humano.
Para falar sobre essa relação entre literatura e futebol, os jornalistas Leonardo Paraná e Zilda Vieira receberam nos estúdios da FM Educativa MS 104.7 o professor doutor Wagner Abdul, colunista do quadro “Na Ponta da Língua”, do programa “Agora 104”.
Questionado sobre o papel da literatura diante de um evento como a Copa do Mundo, Wagner Abdul destacou que os escritores não observam apenas o jogo em si, mas tudo o que ele representa social e culturalmente.
“Quando a literatura olha para uma Copa do Mundo, ela está olhando para uma sociedade em movimento. O futebol funciona como uma espécie de espelho coletivo, revelando sonhos, medos, rivalidades, sentimentos de pertencimento e formas de identidade nacional. A Copa é um grande palco onde se manifestam emoções compartilhadas por milhões de pessoas, e isso desperta naturalmente o interesse dos escritores”, explicou.
Sobre a presença constante do futebol na obra de autores como Nelson Rodrigues e Eduardo Galeano, o professor ressaltou que o esporte reúne elementos que sempre atraíram a literatura.
“O futebol é uma poderosa fonte de narrativas. Ele reúne paixão, conflito, superação, talento, acaso e emoção. Cada partida pode ser vista como uma história completa, com personagens, desafios e momentos decisivos. Além disso, o futebol conecta experiências individuais a sentimentos coletivos, tornando-se um tema extremamente rico para a criação literária.”
Abdul também observou que as Copas do Mundo apresentam características semelhantes às encontradas nos grandes romances e nas narrativas clássicas da literatura universal.
“As Copas produzem heróis, vilões, derrotas marcantes, reviravoltas inesperadas e jornadas de superação. Esses elementos estão presentes desde as epopeias antigas até os romances contemporâneos. O torcedor acompanha a trajetória das seleções quase como acompanha a de personagens de uma obra literária, criando vínculos emocionais e expectativas em torno do desfecho da história.”
Ao comentar a relação entre futebol e literatura no Brasil, o professor destacou que existe uma forma bastante particular de narrar o esporte no país.
“A literatura brasileira costuma tratar o futebol não apenas como uma competição, mas como uma expressão da cultura nacional. Os textos frequentemente destacam a criatividade, a emoção, a improvisação e a dimensão popular do esporte. Ao narrar o futebol, muitos autores acabam narrando também o Brasil, suas contradições, suas conquistas e a maneira como os brasileiros enxergam a si mesmos e ao mundo.”
A entrevista reforçou como a Copa do Mundo ultrapassa os limites do esporte e se transforma em matéria-prima para reflexões sobre cultura, identidade e comportamento humano, demonstrando que futebol e literatura compartilham a mesma capacidade de contar histórias e despertar emoções coletivas.
Confira:
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