Um dos principais receios de quem pensa em trocar o carro a combustão por um elétrico é a durabilidade da bateria, componente mais caro do veículo. Um estudo recente baseado em dados reais de uso ajuda a colocar esse medo em perspectiva. Uma análise da empresa de telemetria Geotab, feita a partir do monitoramento de milhares de veículos elétricos em operação, mostra que a degradação média das baterias gira em torno de 1,8% ao ano.
Na prática, isso significa que, após cinco anos de uso, a maioria dos carros elétricos mantém cerca de 90% da capacidade original da bateria. Mesmo depois de oito anos, período que costuma coincidir com o fim da garantia oferecida pelas montadoras, muitos modelos ainda preservam algo próximo de 85% a 90% da autonomia inicial, dependendo do tipo de bateria e das condições de uso.
A pesquisa analisou dados coletados por sistemas de telemetria instalados em frotas e veículos particulares, cruzando informações como ciclos de recarga, temperatura, padrão de condução e envelhecimento natural das células. Segundo a Geotab, modelos mais antigos apresentavam uma degradação um pouco maior, perto de 2,3% ao ano, enquanto veículos elétricos mais recentes, com baterias e sistemas de gerenciamento mais modernos, registram perdas mais próximas de 1,5% a 1,7% ao ano.
Outro dado relevante é que a degradação não acontece de forma linear. O estudo indica uma queda um pouco mais acelerada nos primeiros anos, seguida de um longo período de estabilidade. Ou seja, depois da adaptação inicial da bateria, a perda anual tende a ser menor e mais previsível.
O levantamento também aponta fatores que aceleram o desgaste. Uso frequente de carregamento rápido em corrente contínua, exposição constante a temperaturas muito altas e manter a bateria sempre em 100% de carga são práticas associadas a maior degradação. Por outro lado, recargas lentas, evitar extremos de carga e dirigir de forma mais regular ajudam a preservar a vida útil.
Para o consumidor, os números ajudam a comparar cenários. Considerando a média do estudo, um carro elétrico usado por dez anos ainda pode manter cerca de 8 em cada 10 quilômetros de autonomia original, nível considerado plenamente funcional para a maioria dos usos urbanos e rodoviários. Isso reforça a percepção de que a bateria não “morre” rapidamente, como muitos ainda imaginam, mas envelhece de forma gradual.
O resultado também influencia o mercado de usados, o cálculo de custo total de propriedade e decisões de políticas públicas ligadas à mobilidade elétrica. Com baterias durando mais do que o esperado inicialmente, o carro elétrico passa a ser visto como um investimento de longo prazo mais previsível.
Para quem avalia a migração, o estudo sugere que o foco deve estar menos no medo da bateria e mais no perfil de uso, na infraestrutura de recarga disponível e nos hábitos de carregamento. A tecnologia avança rápido, e os dados reais indicam que a durabilidade das baterias acompanha esse ritmo.
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