Um período que atravessa séculos, culturas e diferentes formas de acreditar. Mais do que eventos religiosos, esta época do ano também convida à reflexão sobre um dos livros mais influentes da história da humanidade: a Bíblia. Um texto que, para além da fé, impacta a literatura, a filosofia e a maneira como a sociedade compreende o mundo.
Com esse olhar ampliado, o programa Agora 104, da FM Educativa MS 104.7, recebeu o professor doutor em Literatura, Wagner Abdul, para discutir a relevância da Bíblia sob perspectivas que vão além do campo religioso.
Considerada o livro mais lido da história, a Bíblia também atravessa séculos como obra literária, filosófica e até teatral. No Brasil, essa influência ganha uma dimensão singular com a encenação da Paixão de Cristo de Nova Jerusalém, em Pernambuco — reconhecida como um dos maiores espetáculos ao ar livre do mundo.
Durante a entrevista, o professor destacou que a Bíblia pode ser compreendida como uma das maiores construções narrativas da humanidade.
“Não se trata de um livro único, mas de uma coletânea de textos produzidos ao longo de séculos, reunindo diferentes estilos, vozes e contextos históricos. Do ponto de vista literário, ela atravessa diversos gêneros: poesia, narrativa épica, textos de sabedoria e relatos que se aproximam da biografia”, explica.
Segundo Abdul, um dos aspectos mais relevantes é a forma como essa estrutura ultrapassa o próprio livro e se transforma em cultura viva. “No Brasil, isso aparece de maneira muito concreta no sertão pernambucano, na cidade-teatro de Nova Jerusalém, onde é realizada anualmente a Paixão de Cristo. Trata-se de uma das maiores estruturas de teatro ao ar livre do mundo, com muralhas, palcos naturais e cenografias monumentais”, afirma.
O espetáculo reúne milhares de espectadores todos os anos e segue se renovando ao incorporar nomes conhecidos do público. Em 2026, por exemplo, o ator Marcelo Serrado integra o elenco da encenação, evidenciando como a narrativa bíblica continua sendo reinterpretada e atualizada.
Para o professor, esse caráter atemporal ajuda a explicar a permanência da Bíblia no imaginário coletivo. “Independentemente da crença, estamos falando de uma narrativa sobre a condição humana — sobre sofrimento, limite e transformação”, conclui.
Confira:
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