Inteligência Artificial

Brasil avança no uso de IA generativa

País já aparece entre os líderes globais em adoção da tecnologia e mostra confiança acima da média internacional

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O Brasil se tornou o segundo país que mais utiliza inteligência artificial generativa no mundo. A conclusão aparece em um estudo divulgado pela Cisco em parceria com a OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico – um fórum internacional de países que discute políticas, promove o crescimento econômico, o desenvolvimento social e a boa governança, atuando como referência global em melhores práticas em diversas áreas como macroeconomia, tributação, educação, inovação e meio ambiente.  O estudo analisou hábitos digitais, confiança e impactos do uso de IA em 22 nações. Os dados mostram que a tecnologia já faz parte da rotina de milhões de brasileiros, que usam ferramentas de geração de texto, imagem, áudio e vídeo para trabalhar, estudar e resolver tarefas do dia a dia.

Segundo o levantamento, oito em cada dez brasileiros já usaram alguma ferramenta de IA generativa em 2024. Isso coloca o país atrás apenas da Indonésia, que lidera o ranking. A taxa brasileira é bem superior à média global, onde cerca de metade das pessoas adotam a tecnologia. O estudo também aponta um recorte geracional claro. Entre jovens de 18 a 24 anos, a presença da IA é quase universal, alcançando nove em cada dez usuários. Já entre pessoas acima de 55 anos, o número cai para algo próximo de 30%, revelando uma diferença de acesso e familiaridade que tende a influenciar políticas de inclusão digital.

A forma como os brasileiros usam IA também se destaca. No Brasil, 60% dos usuários recorrem à tecnologia para tarefas de estudo e aprendizado, o que representa uma proporção maior que a média de países ricos avaliados pela OCDE.

A IA também está presente no trabalho. Cerca de metade dos entrevistados afirma utilizar ferramentas generativas para revisar textos, apoiar decisões, criar apresentações e automatizar rotinas.

Outro ponto analisado foi a confiança. O estudo aponta que o Brasil está entre os países com maior percepção positiva sobre IA generativa. Aproximadamente sete em cada dez pessoas dizem confiar na tecnologia para resolver problemas cotidianos, propor soluções ou aumentar a produtividade. Porém, o mesmo percentual manifesta preocupação com questões de privacidade e possíveis impactos éticos, especialmente o risco de informações incorretas ou vieses nos sistemas.

O levantamento destaca ainda efeitos sobre o bem-estar digital. Para uma parcela expressiva dos entrevistados, a IA reduz o estresse relacionado a tarefas repetitivas e ajuda no equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Entre trabalhadores formais, 40% relatam que a tecnologia economiza tempo e melhora desempenho. Já entre estudantes, a IA é vista como ampliação de repertório, embora professores relatem necessidade crescente de políticas educacionais que diferenciem apoio tecnológico de plágio.

Na análise global, o estudo conclui que países em desenvolvimento, como Brasil e Índia, adotam IA em ritmo mais acelerado que economias avançadas. Especialistas atribuem isso ao alto uso de smartphones, ao ecossistema de plataformas digitais maduras e à percepção de que a IA pode ser instrumento de mobilidade social.

Com o avanço rápido, cresce também a pressão por políticas públicas e regulações que garantam uso seguro e responsável da tecnologia. A OCDE recomenda atenção redobrada a temas como transparência, privacidade de dados, alfabetização digital e criação de ferramentas que permitam identificar conteúdos gerados por IA.

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