Nacional - geral

Brasil registra menor taxa de homicídios em 11 anos

Atlas da Violência revela queda nacional, mas mostra forte desigualdade entre os estados e mais de 42 mil pessoas mortas por ano

Compartilhar
Compartilhar

O Brasil registrou em 2025 a menor taxa de homicídios dos últimos 11 anos, segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgados no Atlas da Violência.

Mesmo com a redução, o país ainda contabilizou aproximadamente 42,6 mil homicídios em um único ano. O levantamento mostra melhora gradual nos índices nacionais, mas também revela profundas diferenças regionais na violência brasileira.

A taxa nacional ficou em torno de 19,8 homicídios por 100 mil habitantes, a menor desde 2014. Especialistas apontam vários fatores para a queda, entre eles o envelhecimento da população, a redução parcial de conflitos entre facções em algumas regiões, maior integração policial e uso ampliado de inteligência e tecnologia na segurança pública. Mesmo assim, o Brasil continua entre os países mais violentos do mundo em números absolutos.

O Atlas da Violência mostra que os estados com maiores índices de homicídio seguem concentrados principalmente nas regiões Norte e Nordeste. Bahia, Amapá, Pernambuco, Amazonas e Ceará aparecem entre os estados mais afetados pela violência letal. Parte desse cenário é associado à disputa entre facções criminosas, ao tráfico de drogas e armas e às dificuldades estruturais enfrentadas pelos sistemas de segurança pública dessas regiões.

Na outra ponta do levantamento, os menores índices de homicídio aparecem principalmente nas regiões Sul e Sudeste. Estados como São Paulo, Santa Catarina e Minas Gerais, além do Distrito Federal, registraram taxas significativamente inferiores à média nacional.

São Paulo continua apresentando uma das menores taxas de homicídio do país, resultado frequentemente associado à combinação entre políticas de inteligência policial, integração de bancos de dados e redução gradual dos confrontos entre organizações criminosas.

O estudo reforça uma tendência histórica da violência brasileira. Cerca de 76% das vítimas de homicídio no Brasil são negras, segundo o Atlas da Violência. Isso significa que, do total aproximado de 42,6 mil assassinatos registrados, cerca de 32 mil vítimas eram pessoas negras.

Entre os jovens de 15 a 29 anos, o cenário é ainda mais preocupante. Aproximadamente de cada 10 vítimas, 9 são homens, e a maioria absoluta é negra. Especialistas associam esse quadro à desigualdade social, à concentração da violência em periferias urbanas, à evasão escolar e à maior exposição ao crime organizado e aos conflitos armados nas cidades. O homicídio continua sendo uma das principais causas de morte entre jovens brasileiros.

E o impacto da violência vai muito além das mortes. Os homicídios geram custos elevados para o sistema de saúde, segurança pública, previdência e produtividade econômica. Além disso, a violência afeta investimentos, turismo e qualidade de vida nas cidades.

O avanço das facções criminosas e a circulação ilegal de armas continuam entre os principais desafios. O Atlas aponta que o crime organizado ampliou a influência em diferentes regiões do país nos últimos anos. E apesar da queda geral nos homicídios, especialistas destacam preocupação com feminicídios e violência doméstica. Os crimes contra mulheres permanecem elevados em várias regiões brasileiras.

No Centro-Oeste, estados de fronteira como Mato Grosso do Sul convivem com desafios específicos ligados ao tráfico internacional de drogas, armas e contrabando. A posição geográfica aumenta a pressão sobre as forças de segurança estaduais e federais.

O Atlas da Violência mostra que o Brasil avançou na redução dos homicídios, mas ainda enfrenta níveis extremamente altos de violência letal. A melhora nacional esconde realidades muito diferentes entre os estados.

Especialistas afirmam que a queda consistente da violência dependerá não apenas de policiamento, mas também de educação, redução da desigualdade, inteligência policial e combate ao crime organizado.

Apesar dos números menores do que há uma década, os dados ainda revelam uma crise de segurança pública considerada longe do fim.

Foto: AgênciaBrasil

Compartilhar

Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos Relacionados
Nacional - geral

Terras raras viram peça estratégica na disputa global por tecnologia

As chamadas “terras raras” passaram a ocupar espaço central nas disputas econômicas...

Nacional - geral

Furto de cabos de energia triplica no Brasil e amplia apagões nas cidades

O furto de cabos de energia elétrica disparou nas cidades brasileiras entre...

Nacional - geral

CNH mais barata já gerou economia de R$ 1,8 bilhão para brasileiros

Os brasileiros já economizaram cerca de R$ 1,8 bilhão com a emissão...

Nacional - geral

Projeto sobre terras raras avança e coloca Brasil no centro da disputa global

O Senado Federal deve analisar nos próximos dias o texto final do...