Mapa indicando o Pantanal em Mato Grosso do Sul com alerta para risco de queimadas devido ao El Niño.
Aquecimento Global

Calor extremo avança pelo planeta

Estudo indica que aquecimento global pode dobrar até 2050 o número de pessoas expostas a temperaturas perigosas para a saúde

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O aquecimento global deve ampliar de forma significativa a exposição da população mundial ao calor extremo nas próximas décadas. Estudos recentes indicam que, mantido o ritmo atual de aumento da temperatura média do planeta, o número de pessoas submetidas a ondas de calor severas pode mais que dobrar até 2050, com impactos diretos sobre saúde, economia e infraestrutura urbana.

Dados consolidados por organismos internacionais mostram que hoje cerca de 3 bilhões de pessoas já vivem em regiões que enfrentam episódios frequentes de calor intenso. Projeções climáticas apontam que esse contingente pode chegar a mais de 5 bilhões, o equivalente a 6 em cada 10 habitantes do planeta, caso o aquecimento global supere o limite de 1,5 grau Celsius em relação ao período pré-industrial.

O calor extremo não se resume a desconforto. Ele aumenta o risco de doenças cardiovasculares, respiratórias e renais, além de agravar quadros de desidratação e insolação. Relatórios da Organização Mundial da Saúde indicam que o calor já provoca centenas de milhares de mortes por ano no mundo, número que tende a crescer com a intensificação das ondas de calor.

As regiões mais afetadas devem ser áreas tropicais e subtropicais, onde vivem populações mais numerosas e, muitas vezes, com menor capacidade de adaptação. África, Sul da Ásia, Oriente Médio e partes da América Latina concentram grande parte das pessoas em risco. Em muitos desses locais, o calor extremo se soma a problemas como acesso limitado a água, energia e serviços de saúde.

No Brasil, o cenário também preocupa. Dados do Instituto Nacional de Meteorologia mostram aumento na frequência e na duração das ondas de calor nos últimos anos. Grandes centros urbanos sofrem com ilhas de calor, fenômeno intensificado pela impermeabilização do solo e pela falta de áreas verdes. Estudos nacionais estimam que milhões de brasileiros já enfrentam temperaturas acima dos limites considerados seguros durante vários dias do ano.

O impacto econômico é outro ponto de atenção. O Banco Mundial calcula que o calor extremo pode reduzir a produtividade do trabalho, afetar a agricultura e elevar gastos com saúde. Em países tropicais, as perdas econômicas associadas ao calor podem chegar a até 2% do PIB por ano nas próximas décadas, caso não haja medidas de adaptação.

Especialistas apontam dois caminhos principais para enfrentar o problema. O primeiro envolve mitigação, com redução das emissões de gases de efeito estufa para limitar o aquecimento global. O segundo passa pela adaptação, com investimentos em cidades mais resilientes, ampliação de áreas verdes, sistemas de alerta, mudanças em jornadas de trabalho e reforço na infraestrutura de saúde.

Relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas reforçam que cada fração de grau importa. Conter o aquecimento próximo de 1,5 grau pode evitar que bilhões de pessoas passem a viver sob calor extremo permanente. O desafio, segundo os cientistas, não é apenas ambiental, mas social, econômico e de saúde pública.

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