Cidadania

Clube de leitura humaniza e fortalece ressocialização em presídios de Corumbá

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Um projeto de extensão da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) tem transformado a rotina de internos nas unidades prisionais de Corumbá. Intitulada “A Literatura Liberta”, a iniciativa é desenvolvida em parceria com a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) e o Conselho da Comunidade do município, e já apresenta resultados expressivos em participação e engajamento.

A proposta nasceu a partir do clube de leitura corumbaense Leituras di Macondo, cujas integrantes decidiram levar a experiência literária para dentro dos presídios masculino e feminino da cidade. Diferente de projetos anteriores — nos quais a leitura era realizada de forma individual — o novo formato aposta na leitura coletiva e na discussão em grupo das obras.

A repórter Zilda Vieira da FM Educativa MS conversou com a coordenadora do projeto, Elaine Dupas, professora doutora de Direito Penal do Campus Pantanal da UFMS. Segundo ela, a principal inovação está justamente na troca de ideias entre os participantes.

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“Antes, os internos não tinham a oportunidade de conversar sobre a obra lida. Agora, todos leem o mesmo livro e depois se reúnem para a discussão”, explica.

Além de possibilitar a remição  de pena por meio da leitura, o projeto busca concretizar uma das principais funções da pena: a ressocialização. Para Elaine, mais do que reduzir dias da condenação, a iniciativa prioriza a formação de leitores críticos.

O diretor do Estabelecimento Penal Masculino de Corumbá, Ricardo Baracat, afirma que o projeto já é considerado um sucesso. Desde o início das atividades, houve um crescimento de 140% no número de participantes, passando de 25 para 60 internos.

OUÇA:

Entre os participantes, a avaliação é positiva. O interno Aparecido da Cunha destacou que o novo modelo de leitura veio “bem a calhar”, especialmente para quem também se prepara para exames como o Enem e o Encceja. Mauro Sampietri reforça a importância da iniciativa: “A leitura é muito importante para nós”.

OUÇA:

 

Com um acervo de 60 exemplares, distribuídos em 18 títulos, priorizando autores de Mato Grosso do Sul, o projeto será desenvolvido ao longo de um ano e meio. Após esse período, novas turmas serão formadas.

O clube de leitura já está no segundo livro. A primeira obra discutida foi “Canção para ninar menino grande”, da escritora Conceição Evaristo. Nesta semana, os participantes debatem Restaurante do Fim do Mundo, do escritor corumbaense Eduardo da Costa Mendes. A terceira leitura será “Crônica de uma morte anunciada”, do colombiano Gabriel García Márquez.

A iniciativa reforça o poder transformador da literatura e mostra que, mesmo em ambientes de privação de liberdade, o acesso ao conhecimento pode abrir novos caminhos e perspectivas.

Foto: Agepen

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