A possível chegada de um novo episódio do El Niño nos próximos meses já preocupa meteorologistas e autoridades ambientais. Embora as previsões atuais indiquem impactos mais intensos nas regiões Sul, Norte e Nordeste, especialistas alertam que o fenômeno pode favorecer o aumento das queimadas no Pantanal devido às temperaturas mais elevadas previstas para o Centro-Oeste.
O alerta ganha importância porque o bioma ainda se recupera dos incêndios registrados nos últimos anos, considerados alguns dos mais severos de sua história recente.
O que é o El Niño
O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Essa alteração interfere na circulação atmosférica global e modifica padrões de chuva e temperatura em diversas partes do planeta.
No Brasil, os efeitos do El Niño variam conforme a intensidade do fenômeno e a região afetada.
Impactos por região
As projeções indicam que os efeitos mais expressivos podem ocorrer nas regiões Sul, Norte e Nordeste. No Sul, o fenômeno costuma aumentar o risco de chuvas acima da média, tempestades e enchentes. Já em partes do Norte e Nordeste podem ocorrer alterações nos regimes de precipitação, afetando agricultura, reservatórios e disponibilidade hídrica.
Sudeste e Centro-Oeste não devem enfrentar eventos extremos tão severos quanto os observados em outras regiões. Não há indicação de secas excepcionais ou enchentes de grande magnitude associadas ao fenômeno neste momento. Mesmo assim, meteorologistas alertam para a possibilidade de temperaturas acima da média, especialmente durante a estação seca.
É justamente esse aumento das temperaturas que preocupa especialistas em relação ao Pantanal. O calor mais intenso reduz a umidade da vegetação e aumenta a evaporação da água presente no solo. Quando combinado com períodos de estiagem e ação humana, o cenário favorece a propagação rápida dos incêndios florestais.
Pantanal vulnerável
O Pantanal é a maior área úmida tropical do planeta e abriga uma das maiores concentrações de biodiversidade da América do Sul. Apesar de sua imagem associada à água, o bioma passa todos os anos por um período de seca natural. Quando as condições climáticas ficam mais quentes que o normal, o risco de incêndios aumenta significativamente.
As queimadas afetam fauna, flora, qualidade do ar e atividades econômicas ligadas ao turismo e à pecuária. Nos grandes incêndios registrados nos últimos anos, milhões de hectares foram atingidos e milhares de animais morreram ou perderam habitat.
Órgãos ambientais e instituições de pesquisa acompanham constantemente as condições climáticas e o comportamento do fenômeno. O monitoramento permite antecipar ações de prevenção, fiscalização e combate aos focos de incêndio.
Mato Grosso do Sul permanece em alerta
Grande parte do Pantanal brasileiro está localizada em Mato Grosso do Sul. Por isso, o estado acompanha com atenção as previsões climáticas para os próximos meses.
Especialistas ressaltam que a ocorrência de queimadas depende de vários fatores, não apenas do El Niño. Ações humanas, manejo inadequado do fogo, condições de vento e disponibilidade de combustível vegetal também influenciam diretamente o risco de incêndios.
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