O programa “Agora 104”, da FM Educativa MS 104.7, discutiu o avanço do endividamento das famílias brasileiras e os riscos para a economia nos próximos meses. Para comentar o cenário, o economista e colunista Aldo Barrigosse participou da edição e respondeu aos principais questionamentos sobre o tema.
Dados recentes da Serasa mostram que parte das famílias já compromete até 80% da renda mensal com dívidas e despesas fixas, o que reduz a capacidade de reação diante de imprevistos e aumenta o risco de inadimplência.
O que pesa mais no endividamento?
O problema não está concentrado em um único fator. Hoje nós temos uma combinação perigosa: juros altos encarecem o crédito, a inflação corrói o poder de compra e a renda não cresce no mesmo ritmo. Esse conjunto pressiona o orçamento das famílias.
O principal impacto aparece na perda da capacidade de pagamento. O volume da dívida preocupa, mas o mais grave é que a renda não acompanha. Quando a maior parte do salário já está comprometida, qualquer imprevisto leva ao atraso das contas.
Levantamentos da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo indicam que mais de 75% das famílias brasileiras possuem algum tipo de dívida, com destaque para o cartão de crédito, principal responsável pelo endividamento.
Inadimplência crescente é sinal de alerta
O aumento da inadimplência em 2026 é, sim, um sinal de alerta para a economia. Atualmente, mais de 70 milhões de brasileiros já têm contas em atraso.
Quando a inadimplência cresce, isso afeta toda a economia. As famílias passam a consumir menos, o comércio vende menos e os bancos ficam mais restritivos na concessão de crédito.
No dia a dia, os impactos são diretos. As pessoas começam a atrasar contas básicas, como energia, água e telefone. O custo de vida continua alto, principalmente com alimentação, moradia e transporte, o que aperta ainda mais o orçamento.
O crédito tem sido usado como complemento de renda, prática que aumenta o risco financeiro no médio prazo.
Como sair das dívidas
Para quem enfrenta dificuldades financeiras, a orientação é começar pela organização do orçamento. O primeiro passo é entender para onde está indo o dinheiro. Sem esse controle, não há solução.
O recomendado é priorizar o pagamento de dívidas com juros mais altos, como o cartão de crédito e o cheque especial. O crédito rotativo transforma dívidas pequenas em grandes problemas. É fundamental atacar essas dívidas primeiro.
Outra estratégia é buscar renegociação. Hoje existem programas de negociação com descontos que ajudam a aliviar o orçamento. Vale a pena procurar bancos e instituições para tentar melhores condições.
Por fim, a importância da educação financeira. Evitar novos ciclos de endividamento passa por planejamento e consumo consciente. O momento exige cautela.
Impactos na economia
O alto nível de endividamento já começa a refletir na economia. Com menos renda disponível, as famílias reduzem o consumo, o que afeta diretamente o comércio e desacelera a atividade econômica.
Além disso, o aumento da inadimplência leva instituições financeiras a restringirem crédito ou elevarem juros, criando um ciclo que dificulta ainda mais a recuperação.
O cenário atual indica um ponto de atenção. O comprometimento da renda atingiu níveis elevados e a tendência é de aumento da inadimplência antes de uma possível estabilização.
Confira:
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