A monogamia é mais comum entre os seres humanos do que entre a maioria dos primatas, mas menos frequente do que em animais como os castores. Essa é a conclusão de um estudo publicado no fim de 2025 na revista científica Proceedings of the Royal Society B, que analisou os padrões de acasalamento em diferentes espécies de mamíferos.
Os pesquisadores buscaram entender como a monogamia evoluiu ao longo da história e onde os seres humanos se encaixam nesse cenário. O resultado mostra que nossa espécie ocupa uma posição intermediária: somos mais propensos a formar vínculos duradouros do que nossos parentes evolutivos mais próximos, como chimpanzés e bonobos, mas estamos longe da fidelidade observada em algumas espécies reconhecidamente monogâmicas.
Segundo os cientistas, é importante distinguir monogamia social de monogamia sexual. A primeira refere-se à formação de casais que vivem juntos, dividem o cuidado com os filhos e cooperam na criação da prole. Já a monogamia sexual significa exclusividade reprodutiva entre os parceiros, algo muito mais raro, tanto entre os animais quanto entre os seres humanos.
No caso dos humanos, a pesquisa mostra que a formação de casais estáveis é uma característica marcante da espécie, mas isso não significa que todos mantenham exclusividade sexual ao longo da vida.
Entre os primatas, a situação é bastante diferente. Chimpanzés e bonobos vivem em grupos onde machos e fêmeas costumam ter múltiplos parceiros reprodutivos, enquanto gorilas geralmente apresentam um sistema de harém, no qual um macho dominante se reproduz com várias fêmeas.
Já os castores figuram entre os exemplos clássicos de monogamia social. Além de formarem casais duradouros, eles cooperam intensamente na construção de tocas, na defesa do território e no cuidado com os filhotes.
Os pesquisadores destacam que a monogamia evolui por diferentes razões, dependendo da espécie. Entre elas estão a necessidade de cuidado parental compartilhado, a dificuldade de encontrar novos parceiros, a defesa de território e o aumento das chances de sobrevivência da prole.
No caso da espécie humana, acredita-se que o longo período de dependência das crianças tenha favorecido a cooperação entre os pais ao longo da evolução. Filhos humanos levam muitos anos para atingir autonomia, o que pode ter aumentado as vantagens evolutivas da formação de vínculos estáveis.
Os autores ressaltam, no entanto, que o comportamento humano é influenciado não apenas pela biologia, mas também por fatores culturais, religiosos, sociais e históricos. Isso explica por que diferentes sociedades apresentam modelos variados de relacionamento, incluindo monogamia, poliginia e outras formas de organização familiar.
Especialistas lembram que não existe um único padrão “natural” para os seres humanos. A evolução forneceu predisposições, mas a cultura desempenha um papel decisivo na forma como os relacionamentos são construídos.
O estudo reforça que a monogamia humana não pode ser entendida apenas como um comportamento biológico. Ela resulta da interação entre nossa história evolutiva e milhares de anos de desenvolvimento social.
Em outras palavras, quando o assunto é fidelidade, os seres humanos não ocupam nenhum dos extremos da natureza. Estamos em um ponto intermediário entre espécies altamente monogâmicas, como os castores, e outras muito mais promíscuas, como diversos primatas.
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