O Janeiro Roxo, campanha nacional de conscientização sobre a hanseníase, esteve no centro do debate nesta semana no programa “Agora 104”, da FM Educativa MS 104.7. Apresentado pelos jornalistas Fábio Madeira e Leonardo Paraná, o programa levou ao ar reportagens especiais e entrevistas voltadas à informação e ao enfrentamento do preconceito que ainda cerca a doença.
Confira:
Na edição desta quarta-feira (21), os comunicadores receberam no estúdio o especialista em Saúde da Família Welber Vilela, enfermeiro e coordenador do Programa de Hanseníase do Hospital São Julião, referência nacional no tratamento da doença. Durante a entrevista, o especialista esclareceu dúvidas frequentes da população e destacou os avanços e desafios no combate à hanseníase em Mato Grosso do Sul e no Brasil.
Entre os temas abordados, Welber Vilela explicou como funciona o tratamento da hanseníase no Hospital São Julião, ressaltando que, quando seguido corretamente, o tratamento é eficaz e pode durar de seis a doze meses, a depender da classificação da doença. Ele também chamou atenção para a subnotificação de casos no estado, um problema que dificulta o controle da endemia. Segundo o coordenador, os profissionais de saúde trabalham com busca ativa, análise de dados epidemiológicos e acompanhamento dos contatos dos pacientes para reduzir esse cenário.
Mesmo com amplo acesso à informação, o especialista alertou que ainda há pacientes que abandonam o tratamento, muitas vezes por medo, desinformação ou preconceito. “A maior barreira para o controle da hanseníase no Brasil não é laboratorial, mas social”, destacou. Para ele, o estigma histórico da doença ainda impede que muitas pessoas procurem o diagnóstico precoce.
O Hospital São Julião, com mais de 80 anos de atuação, é considerado um dos mais avançados do país no combate, tratamento e reabilitação de pacientes com hanseníase. Em 2026, o acesso a testes rápidos e exames de biologia molecular nas unidades de referência, como o São Julião, permitirá identificar a bactéria causadora da doença antes mesmo do surgimento de deformidades, ampliando as chances de cura e reduzindo sequelas.
Durante a entrevista, Welber Vilela também comentou dados preocupantes: até 29 de janeiro de 2024, o Brasil ocupava a segunda posição no ranking mundial de casos ativos e notificados de hanseníase, ficando atrás apenas da Índia. Questionado se é possível reverter esse cenário, o especialista foi enfático ao afirmar que a erradicação depende de diagnóstico precoce, tratamento adequado e, principalmente, da superação do preconceito.
Classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma das 20 doenças negligenciadas no mundo, a hanseníase ainda recebe poucos recursos para pesquisa, prevenção e controle. Diante disso, o lema do Janeiro Roxo ganha ainda mais força: identificar, tratar e acolher.
“A campanha é um convite para que cada cidadão seja um agente de saúde dentro da própria casa. Olhar o próprio corpo, observar os familiares e buscar atendimento ao menor sinal é fundamental. O tratamento é um direito, e o respeito é um dever de todos”, reforçou o especialista.
Mato Grosso do Sul segue como estado referência no tratamento da hanseníase, tendo no Hospital São Julião um exemplo para todo o Brasil de compromisso com a saúde pública, a dignidade e a inclusão dos pacientes.
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