O Assunto é Cinema é um podcast produzido e apresentado pelos jornalistas Clayton Salles e Daniel Rockenbach. O programa fica disponível todas as quintas, às 20h, no Spotify do Assunto é Cinema.
NOTA E CRÍTICA – Daniel Rockenbach
O Assunto é Cinema analisa “Supergirl”, filme dirigido por Craig Gillespie. A trama acompanha Kara Zor-El comemorando seu aniversário de 23 anos na maior farra em planetas com sol vermelho, tipo de estrela que reduz o poder dos kryptonianos, a ponto dela poder experimentar os efeitos de uma bebedeira como uma pessoa normal. Enquanto ela e seu cachorro Krypto viajam por sistemas desse tipo, um grupo de mercenários liderados pelo temido Krem executa uma família de forjadores, deixando a filha deles para trás em um planeta onde Kara pousa sua nave para tomar mais um porre. O destino da sobrevivente e de Kara vai se cruzar em uma caçada por Krem numa jornada de amadurecimento de ambas as garotas.
O universo DC de James Gunn segue se expandindo, abraçando uma personagem que nunca foi muito bem explorada nas telas e agora ganha um longa metragem com maior orçamento que a infame adaptação de 1984 dirigida pelo francês Jeannot Szwarc. Em um primeiro momento, a expectativa era de manter o padrão de “Superman” de James Gunn, agora investindo em sua prima para, quem sabe, ter um novo sucesso como o primeiro “Mulher-Maravilha”(2017) para engajar o público feminino. Para a tarefa, os produtores James Gunn e Peter Safran escalaram a roteirista Ana Nogueira para adaptar o quadrinho “Supergirl: A Mulher do Amanhã” escrito por Tom King e ilustrado pela brasileira Bilquis Evelly, uma das melhores HQs da personagem.
A trama se apropria de elementos interessantes do quadrinho para contar a história de Kara, no entanto, enxertos como a presença do mercenário czarniano Lobo e outros tantos deixam a adaptação um tanto quanto confusa. A jornada de amadurecimento de Kara e da jovem Ruthye se perde entre tantos acontecimentos e uma montagem confusa, por vezes truncada, de Tatiana S. Riegel e Fred Raskin, habituais colaboradores do diretor Craig Gillespie. O reconhecido diretor de sucessos de público e crítica como “Eu, Tonya” (2017) parecia uma boa escolha para conduzir o projeto, mas no fim das contas, vários elementos problemáticos do longa estão justo na direção.
O grande problema de “Supergirl” é a falta de familiaridade de seu diretor com filmes de ação e aventura dessa magnitude. A estética do longa é confusa, sem se decidir por uma paleta de cores específica, ora apelando para cores quentes, ora frias, tudo sem nenhuma coerência com qualquer tipo de proposta. Tudo aparenta estar em cena seguindo referências de filmes tão distantes como “Mad Max: Estrada da Fúria” (2015) ou “Guardiões da Galáxia” (2014). Isso deixa o filme confuso, difícil de acompanhar nos momentos mais densos e ainda pior quando se abordam as cenas de ação, que ainda por cima, ficaram mal coreografadas.
A adaptação só não é um desastre completo pela força da história base e pelo carisma da atriz Milly Alcock que pouco tem a fazer em cena com o roteiro pouco elaborado, mas consegue segurar muito bem o papel graças a seu carisma e confiança como protagonista. É seguro que ela se tornará um dos principais elementos do novo universo DC nas telas, mas muito mais por conta de sua capacidade do que pelo que foi visto neste filme. Ao vilão Krem de Matthias Schoenaerts pouco resta além de caras e bocas, mas mais confuso que ele é a presença de Jason Momoa como o mercenário imortal, Lobo, um personagem muito querido dos fãs. Sua presença é infame como o personagem, mas mesmo esse tremendo fan service soa vazio, desprovido de qualquer sentido.
Depois da repercussão positiva do “Superman” de James Gunn e de uma bela temporada de “Pacificador”, os fãs esperavam muito mais do novo universo DC. A aposta em “Supergirl” soava arriscada justamente por colocar a responsabilidade do sucesso do novo longa na conta do carismático “Superman” de David Corenswet e no adorado Krypto para provocar a empatia dos fãs. Entre uma escolha equivocada na direção e um roteiro confuso, cheio de alterações, “Supergirl” até diverte, tem uma trama interessante para desenvolver a personagem, mas soa pequeno demais para um filme que supostamente deveria apresentar um universo maior nas telas.
“Supergirl” está disponível no serviço de streaming HBO Max.
Nota: 6.
Confira o trailer de “Supergirl”:
Ouça o episódio analisando “Supergirl”, entre outras atrações, no Spotify do Assunto é Cinema:
Foto em destaque: Divulgação.
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