Até sábado (28), o riso vai circular por bairros periféricos da cidade com o projeto “Mixi pela Cidade”, que leva o espetáculo MixiCirquinho, da palhaça Mixirica, criada pela artista Kelly Figueiredo, a escolas públicas, comunidades quilombolas, aldeias indígenas urbanas e outros territórios onde a arte é mais que entretenimento: é necessidade, sábado (28), às 10h, na CUFA, no bairro São Conrado. Todas as apresentações são gratuitas, com capacidade para até 100 crianças por sessão.
Em entrevista à FM Educativa MS, Kelly Figueiredo falou sobre o espetáculo. OUÇA:
O projeto busca descentralizar o acesso à cultura, levando o circo a lugares onde a plateia nem sempre consegue chegar. “O que me motivou foi ampliar o alcance do espetáculo ‘MixiCirquinho’ e garantir que essa experiência chegasse a territórios com menos acesso a ações culturais”, explica Kelly Figueiredo. “’Mixi pela Cidade’ nasce como um movimento de expansão e democratização cultural.”
No picadeiro portátil de 40 minutos, a palhaça Mixirica apresenta sua amiga Mixipulga, e, entre corda bamba, mágicas e números improvisados, o espetáculo trabalha valores como amizade, empatia e respeito às diferenças, além de incentivar a participação ativa das crianças. “O circo devolve à infância o olhar no olho, o riso compartilhado, a imaginação coletiva”, afirma a artista. “A criança não é espectadora passiva — ela participa, reage, cria junto.”
Educação e cultura: escuta e parceria
Entre os territórios atendidos está a comunidade quilombola Furnas do Dionísio. O educador Vanderlei dos Santos ressalta a importância de ouvir as comunidades: “Não se trata de ‘dar voz’. Essas comunidades já têm voz. É fazer com eles, nada deles sem eles.” Ele lembra que projetos culturais nesses territórios exigem políticas públicas permanentes, além de cuidado pedagógico. “Quando o espetáculo vem até a comunidade, garante o acesso real à fruição artística e contribui para a formação cultural dos educandos.”
Kelly Figueiredo reforça que cada apresentação é adaptada ao contexto do público. “Cada espaço tem seu ritmo. Não é só adaptação técnica, é adaptação humana. Cada apresentação se constrói junto com o público daquele lugar.”
Uma palhaça equilibrando o mundo
“Mixi pela Cidade” reafirma que política cultural não é favor, é construção de futuro. Entre gargalhadas, quedas fingidas e mágicas de bolso, o projeto reforça que a arte transforma, conecta e forma cidadãos.
A equipe do projeto inclui Kelly Figueiredo (dramaturgia, cenografia e atuação), Marcelo Leite (produção e sonoplastia), Breno Lucas (social media), Edner Gustavo (iluminação) e Arruda Comunicação (assessoria de imprensa). O financiamento é da PNAB – Política Nacional Aldir Blanc, do Ministério da Cultura e da Prefeitura de Campo Grande. Apoio: Fulano di Tal. Informações: @palhacamixirica.
Foto: Divulgação
Deixe um comentário