Enquanto a COP30 segue em Belém, o Agora 104 leva o público ao coração do Pantanal, a maior área alagável do planeta. Esta série especial mostra como ciência, biodiversidade e mudanças climáticas se encontram nesse ecossistema único.
Produzida por Zilda Vieira e dirigida por Sérgio Carvalho, a reportagem aborda a fauna, a flora e os impactos climáticos que ameaçam a saúde do bioma, além das culturas ancestrais que contribuem para sua preservação.
“É impressionante perceber como a ciência e a ação das comunidades podem caminhar juntas para proteger esse patrimônio natural. Cada dado que ouvimos hoje mostra que a preservação depende de conhecimento, planejamento e conscientização”, afirma a equipe da série.
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Um berço de vida
O Pantanal abriga 124 espécies de mamíferos, mais de 650 espécies de aves, 93 de répteis e cerca de 260 espécies de peixes. Entre os mais observados estão a onça-pintada, o cervo-do-Pantanal, o tamanduá-bandeira, a arara-azul-grande e o tuiuiú.
“Pantanal concentra cerca de 30% das espécies de aves do Brasil e 10% das aves conhecidas no mundo”, lembra Edna Dias, do SOS Pantanal, ressaltando os efeitos das mudanças climáticas sobre o bioma.
Impactos das mudanças climáticas
Pesquisas do Instituto Chico Mendes (ICMBio) mostram que, nos últimos dez anos, houve uma redução de até 40% na observação de espécies migratórias durante períodos de seca prolongada. Alterações no ciclo das cheias, combinadas com a redução da área alagável, afetam toda a vida aquática e terrestre da região.
Entre 1988 e 2023, o Pantanal perdeu 38% de sua área alagável, e em 2023 a superfície alagada foi de 3,3 milhões de hectares — uma redução de 38% em relação a 2018. A diminuição das cheias favorece incêndios e aumenta a pressão sobre o ecossistema.
Estudos do MapBiomas e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) indicam que entre 2020 e 2023 o Pantanal registrou a maior sequência de anos secos desde 1961, com aumento de 18% na evapotranspiração, alterando o regime das águas e reduzindo a recarga de aquíferos subterrâneos.
Conservação e ações comunitárias
Para Gustavo Figueiroa, do SOS Pantanal, é essencial colocar as áreas úmidas no centro das discussões da COP30. “As políticas públicas e a gestão de unidades de conservação são fundamentais para manter o Pantanal vivo e equilibrado”, afirma.
O bioma possui 49 unidades de conservação, somando mais de 2 milhões de hectares protegidos, cerca de 13% da área total, mas menos de 2% correspondem a áreas de proteção integral. Projetos comunitários de manejo sustentável e turismo de base local têm mostrado bons resultados, aumentando 25% a renda média das famílias envolvidas.
Coronel Ângelo Rabelo, fundador do Instituto Homem Pantaneiro (IHP), reforça: “O Pantanal é um laboratório vivo, onde ciência, natureza e conhecimentos tradicionais se encontram. Preservar as cheias, fauna e flora é preservar vida.”
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