A Petrobras aprovou a retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III, a UFN-III, em Três Lagoas. O projeto prevê investimento de cerca de US$ 1 bilhão e marca a reativação de um dos maiores empreendimentos industriais inacabados do país.
A unidade começou a ser construída em 2011 e foi paralisada em 2014. Na época, a obra já tinha mais de 80% de execução, segundo dados da própria Petrobras. A interrupção ocorreu em meio a investigações de corrupção e revisão de investimentos da companhia. A retomada insere a UFN-III no centro da estratégia de reduzir a dependência externa de fertilizantes.
A planta terá capacidade para produzir aproximadamente 1,2 milhão de toneladas de ureia por ano e cerca de 70 mil toneladas de amônia. Esses insumos são essenciais para a produção agrícola.
Atualmente, o Brasil importa cerca de 80% dos fertilizantes que consome, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária. A dependência externa expõe o país a oscilações internacionais de preço e oferta.
A retomada da UFN-III dialoga com o Plano Nacional de Fertilizantes, que busca elevar a produção interna e reduzir essa vulnerabilidade.
A reativação da obra deve gerar empregos diretos e indiretos em Mato Grosso do Sul. Durante a construção, milhares de trabalhadores devem ser mobilizados. Após a conclusão, a operação da unidade também tende a fortalecer a economia local.
O complexo industrial amplia a base produtiva de Três Lagoas, cidade já conhecida pela indústria de celulose. O projeto também pode atrair novos investimentos. A presença de uma planta de fertilizantes fortalece a cadeia do agronegócio na região.
Histórico de paralisação
A UFN-III se tornou símbolo de obras paradas no país. O projeto acumulou atrasos, disputas contratuais e aumento de custos.
Nos últimos anos, a Petrobras passou a revisar sua estratégia e voltou a considerar investimentos em fertilizantes. O movimento reflete mudanças no cenário global. As crises internacionais recentes, como a guerra na Ucrânia, afetaram o fornecimento de insumos agrícolas e elevaram os preços.
No novo contexto mundial, o mercado de fertilizantes ganhou relevância estratégica. Países passaram a tratar o setor como questão de segurança alimentar. A dependência de grandes exportadores, como Rússia e Belarus, expôs fragilidades em diversos países.
A decisão da Petrobras ocorre nesse contexto. O objetivo é ampliar a produção interna e reduzir riscos.
Desafios e Perspectivas
Apesar do avanço, a retomada enfrenta desafios. O custo final pode ser maior que o previsto inicialmente. A atualização tecnológica da planta também será necessária. Equipamentos e sistemas precisam se adequar a padrões atuais. A viabilidade econômica depende do preço do gás natural, principal insumo da produção de fertilizantes nitrogenados.
A retomada da UFN-III representa uma mudança na estratégia industrial da Petrobras. A empresa volta a investir em um segmento que havia sido reduzido. O projeto pode contribuir para maior autonomia do Brasil na produção de fertilizantes. O impacto tende a se refletir no agronegócio e na economia.
A conclusão da obra ainda exige etapas importantes. Mas o anúncio indica que um dos principais projetos industriais paralisados do país pode finalmente sair do papel.
Foto: Saul Schramm
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