Saúde Mental

Redes sociais aumentam o risco de ansiedade e depressão em crianças e adolescentes

Pesquisas internacionais mostram que o uso excessivo das plataformas digitais está associado a piora da saúde mental, especialmente entre os mais jovens

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As redes sociais se tornaram parte da rotina de milhões de crianças e adolescentes. Elas aproximam amigos, oferecem entretenimento e facilitam o acesso à informação. Mas estudos recentes reforçam um alerta importante: passar mais de três horas por dia nessas plataformas está associado a um aumento significativo do risco de desenvolver sintomas de ansiedade e depressão.

O dado é respaldado por pesquisas conduzidas por instituições de referência, entre elas o Cirurgião-Geral dos Estados Unidos (U.S. Surgeon General) e a Academia Americana de Pediatria, que apontam o tempo excessivo de uso como um dos fatores relacionados ao pior desempenho emocional de crianças e adolescentes.

É importante destacar que as pesquisas mostram uma associação, e não necessariamente uma relação direta de causa e efeito. Em outras palavras, os estudos indicam que jovens que passam muitas horas nas redes sociais apresentam mais sintomas de ansiedade e depressão, mas outros fatores também podem influenciar esse quadro.

Segundo os pesquisadores, o problema não está apenas no tempo de uso, mas na forma como as plataformas funcionam.

A comparação constante com outras pessoas, a busca por aprovação por meio de curtidas, o medo de ficar de fora das novidades — conhecido como FOMO, sigla em inglês para “medo de estar perdendo alguma coisa” — e a exposição ao cyberbullying podem afetar a autoestima e aumentar os níveis de estresse.

Além disso, o uso prolongado costuma reduzir o tempo dedicado a atividades importantes para o desenvolvimento saudável, como prática de esportes, convivência familiar, leitura, brincadeiras ao ar livre e, principalmente, o sono.

Dormir menos ou dormir mal é um dos fatores mais fortemente associados ao aumento dos sintomas de ansiedade e depressão na adolescência.

Os adolescentes são os mais vulneráveis. Especialistas explicam que a adolescência é uma fase em que o cérebro ainda está em desenvolvimento, especialmente as áreas responsáveis pelo controle das emoções, pela tomada de decisões e pela percepção das consequências dos próprios atos. 

Ao mesmo tempo, é um período em que a necessidade de aceitação social é muito intensa. Isso faz com que críticas, comentários negativos ou a sensação de exclusão tenham um impacto emocional maior do que costumam ter na vida adulta.

Pesquisas mostram que meninas tendem a apresentar maior vulnerabilidade aos efeitos relacionados à comparação de aparência e imagem corporal, enquanto meninos podem sofrer mais influência de conteúdos ligados à competitividade, violência ou comportamentos de risco. Ainda assim, os efeitos negativos podem atingir ambos os sexos.

Os pesquisadores fazem uma ressalva importante: o problema não é simplesmente usar redes sociais.

Quando utilizadas com equilíbrio, elas podem fortalecer amizades, criar redes de apoio, facilitar o aprendizado e até contribuir para o bem-estar emocional, principalmente para jovens que vivem em regiões isoladas ou pertencem a grupos minoritários.

O risco aumenta quando o uso passa a ocupar grande parte do dia, interfere no sono, nos estudos, na atividade física e nas relações presenciais.

Especialistas recomendam que pais e responsáveis acompanhem o uso das redes sociais desde cedo.

Mais do que estabelecer limites de tempo, o ideal é conversar sobre os conteúdos consumidos, incentivar atividades fora das telas e evitar que celulares permaneçam no quarto durante a noite.

Também é importante observar mudanças de comportamento, como isolamento, irritabilidade, queda no rendimento escolar, alterações no sono ou perda de interesse por atividades antes prazerosas. Esses sinais podem indicar que a criança ou o adolescente precisa de apoio.

Não existe uma quantidade de tempo determinada que funcione para todos. Cada criança tem uma realidade diferente.

Mesmo assim, diversas entidades de saúde utilizam três horas diárias como um importante ponto de atenção. Acima desse tempo, os estudos mostram um aumento consistente na probabilidade de sintomas relacionados à ansiedade e à depressão.

Os especialistas ressaltam que a qualidade do tempo conectado é tão importante quanto a quantidade. Participar de atividades educativas ou conversar com amigos próximos é diferente de passar horas consumindo conteúdos de forma passiva ou comparando a própria vida com a de influenciadores.

O consenso entre pesquisadores é que as redes sociais fazem parte da vida moderna e dificilmente deixarão de existir. O desafio está em ensinar crianças e adolescentes a utilizá-las de forma saudável, equilibrando o mundo digital com experiências presenciais, atividade física, convivência familiar e uma boa rotina de sono.

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