Conhecida por ter inspirado Tom Jobim com a música Garota de Ipanema, Helô Pinheiro lavou nossa alma. Recentemente, ela, com 82 anos, desfilou de maiô na semana de moda do Rio de Janeiro e mexeu com muita gente. Não foi só bonito de ver… foi daqueles momentos que nos fazem pensar.
Helô, que além de tudo é um ser humano extraordinário, desfilou toda a sua velha beleza sem vergonha de ser feliz. Mostrou que pernas, braços e costas flácidas fazem parte da vida. E não precisam ficar escondidos.
Vivemos numa sociedade obcecada pela juventude, como se a vida tivesse um prazo ou uma idade certa para parar de tentar, de sonhar ou de simplesmente ser. E quando Helô aparece na passarela, com 82, tranquila, segura, mostra com alegria que esses tabus não fazem sentido nenhum.
Ela não exibiu apenas um maiô, um adereço de moda, mas passou por cima de todos os preconceitos, do chavão que muitos insistem em recitar: “ela não tem mais idade para isto” que tantas vezes ouvimos — ou até dizemos a nós próprios.
E acho que foi isso que mais me tocou. A ideia de que não temos de parar só porque o tempo passa. Que podemos continuar a ser, a mudar, a viver… sem vergonha, sem medo, sem pedir autorização.
Quando vi as fotografias do show – sim, desfiles de moda são um show – pensei: quero isto para mim. Adoraria chegar aos 82 me sentindo viva, com vontade, com curiosidade, com essa liberdade de simplesmente ser quem sou. Não quero ficar presa a números. Ninguém quer.
Tenho duas grandes amigas com 83 e 96 anos, respectivamente. A primeira já contei aqui: vive em São Paulo, namora, estuda, viaja e é visivelmente feliz. A segunda vive em Campo Grande, e é uma das pessoas mais ativas e curiosas que conheço. Costuma nadar quase todos os dias – em casa, a piscina foi construída pensando na sua paixão pelo esporte. Lê muito e lê bem. Costumamos trocar livros e indicações de filme. E vez por outra, ainda se dá ao prazer de uma taça de vinho.
De alguma forma, as duas amigas, junto com Helô, para mim significam esperança. Esperança que ainda há tanto para viver, independentemente da idade. Quem já passou dos sessenta sabe a importância de ter espelhos generosos, aquele lugar que você olha e ele devolve o olhar com carinho.
Por tudo isto, essa crônica é mais que um texto, é um agradecimento. À Helô Pinheiro, eterna Garota de Ipanema, às minhas amigas – Teera e Carolina – por desafiarem o establishment, a ditadura de corpos e comportamentos. Obrigada por nos inspirarem a ser quem somos e o que podemos ser. O resto, meninas, são apenas convenções sociais que não cabem mais em pleno ano de 2026. E viva a maturidade!
Imagem internet
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