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Tragédia em Campo Grande expõe falhas na proteção à infância

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Menina de 6 anos é vítima de estupro e assassinato; caso reacende debate sobre vulnerabilidade social e políticas públicas ineficazes

Na semana passada, o Brasil foi novamente confrontado com uma tragédia que evidencia a ferida aberta da vulnerabilidade social e da violência contra crianças. Emanuelly, de apenas 6 anos, foi vítima de estupro e assassinato em Campo Grande (MS). A menina e sua família já eram acompanhadas pela rede de proteção, mas viviam em situação extrema de pobreza, enfrentando dificuldades até para garantir o básico: a alimentação.

O crime brutal levanta questionamentos profundos sobre os limites e as falhas das políticas públicas voltadas à proteção da infância, especialmente em contextos de vulnerabilidade extrema. O acompanhamento social, ainda que presente, mostrou-se insuficiente para prevenir um desfecho tão trágico.

Para refletir sobre essa dura realidade, o programa Agora 104, da FM Educativa de Mato Grosso do Sul, recebeu na última sexta-feira (29) a pesquisadora Estela Scandola, da Escola de Saúde Pública de MS. Estela também integra a Rede Nacional Feminista de Saúde e representa a entidade no Comitê Nacional de Enfrentamento da Violência contra Crianças e Adolescentes.

Durante a entrevista, a pesquisadora destacou que o caso de Emanuelly não é isolado, mas revela um padrão alarmante: “A pobreza extrema, o racismo estrutural, o machismo e a negligência institucional formam um caldo de cultura para que tragédias como essa continuem acontecendo. A rede de proteção precisa ser fortalecida, sim, mas também integrada, sensível e efetiva.”

O caso ainda está sob investigação, mas já deixou marcas profundas na comunidade local e exige uma resposta urgente do poder público. A morte de Emanuelly, mais do que uma tragédia individual, é um grito coletivo por justiça, dignidade e políticas públicas que realmente protejam nossas crianças.

“E é muito fácil fazer uma análise simplista da situação. É fácil. É um rapaz que, com o seu instinto homicida, machista, estuprou e matou uma menina. Essa é uma análise fácil. Agora, se a gente perguntar e a gente afastar um pouco da realidade e considerar o número de assassinatos de crianças em Mato Grosso do Sul e no Brasil, o número de meninas estupradas seguidas de morte, a gente precisa fazer um afastamento e pensar quem são os violadores. Aí eu acho que a gente vai encontrar talvez o nosso maior gargalo. Veja bem, este menino e eu vou chamá-lo de menino, não me peçam para chamá-lo de nome feio. Este menino havia cometido dois estupros notificados. Ou seja, ele já havia estuprado duas outras crianças. Ele já tinha passado pela unidade de internação das Uneis. E ele sai de lá e a pergunta é: quem produziu este ser humano?”, declarou.

Confira no Agora 104:

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