Logotipo do podcast O Assunto é Cinema da Educativa MS com o título do filme "Minha Melhor Amiga".
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O Assunto é Cinema – Analisa o filme “MINHA MELHOR AMIGA”

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O Assunto é Cinema é um podcast produzido e apresentado pelos jornalistas Clayton Salles e Daniel Rockenbach. O programa fica disponível todas as quintas, às 20h (horário de MS), no Spotify da Educativa MS. Analisa o filme MINHA MELHOR AMIGA.

Por Clayton Salles

NOTA – 8.0

Nas palavras de Mário Quintana, “amizade é um amor que nunca morre”. Os versos do poeta sempre evocam a lembrança de como bom é ter amigos e amigas nas melhores e piores horas. Então, quando a amizade é o eixo de um filme escapista, a fórmula para o sucesso é certa. Um exemplo é a comédia nacional “Minha Melhor Amiga”, que entrou na lista das dez maiores bilheterias da história do cinema brasileiro. Uma lista de critérios questionáveis, por vários motivos, mas ainda assim, um feito superlativo. O longa-metragem segue em cartaz nas salas de todo o Brasil. Ele conta a história de Julia e Clara, amigas de meia-idade desde a infância que resolvem viajar juntas pra Portugal. Por motivos e caminhos diferentes, elas vivem jornadas de encontros e dissabores que fortalecem seus laços de melhores amigas. A direção é de Susana Garcia.

“Minha Melhor Amiga” tem todos os ingredientes de uma produção folhetinesca típica de um programa da GNT, mas aborda uma questão importante: a solidão da mulher de meia-idade. Os temores somados a elementos como a menopausa conduzem a trama do filme e abrem clareiras para as aventuras de Julia e Clara. Por isso, o roteiro é simples e funciona muito bem como estrutura de uma obra vendável. Os diálogos contém um misto dinâmico de humor fofo, tiradas espirituosas e pequenos e precisos avanços a um contexto um pouco mais dramático. Mesmo em momentos densos, a estrutura do filme se mantém no astral das comédias de situação, com toques burlescos e a sustentação temática consistente. É um filme bem montado que responde muito bem ao que propõe.

A cinematografia de “Minha Melhor Amiga” é deslumbrante, exalando o requinte discreto típico da classe média brasileira. A direção soube aproveitar as paisagens europeias de Portugal e Espanha para reforçar essa característica. Os movimentos de câmeras e enquadramentos, com uma gramática variada, convergem para as protagonistas. Trata-se de outro bom artifício para tonificar o bom roteiro e valorizar os textos que trazem mensagens interessantes sobre solidão, feminismo hegemônico e relacionamentos, o clássico eixo temático de comédias românticas focadas em mulheres de classe média. A trilha sonora é um apanhado de canções que tornam a história mais palatável e conectável ao universo idealizado da mulher brasileira. A montagem segue os cânones da comédia nacional, com cortes ágeis que não fazem perder o encadeamento do enredo. Enfim, é uma obra que, nos seus pormenores estéticos, explica a atração que exerce no público de massa do país.

Não era de se esperar nada diferente das atuações da dupla que protagoniza o filme. Mônica Martelli e Ingrid Guimarães estão confortáveis nos tipos de papeis que já desempenharam em outras produções. A Julia de Mônica Martelli parece uma versão 50+ da Fernanda de “Os Homens são de Marte…” (2014), com a insistente necessidade de encontrar o amor da sua vida, enquanto se mete em situações engraçadas. Para esse tipo de humor, Mônica Martelli entrega muito, mas sempre há o risco disso se tornar um estigma em sua carreira. Já Ingrid Guimarães desfila sua versatilidade teatral, mas sua Clara carrega camadas um pouco mais profundas, por ser uma personagem em crise no casamento. O elenco coadjuvante colabora para preencher os espaços necessários para o brilho da dupla principal. No saldo, Mônica e Ingrid conseguem comover com sua amizade inquebrantável.

“Minha Melhor Amiga” é um filme muito legal, com roteiro correto para seus propósitos e uma direção que extrai o melhor de seu tarimbado elenco e constrói uma atmosfera adequada para o desenvolvimento das situações. O longa é basicamente sobre amizade e como elas se fortalecem nas adversidades. No caso, as adversidades são elaboradas com graça e o refinamento fantasiado de classe média carioca, aquela pode viajar para a Europa quando se sente triste ou entediada. Porque é inevitável não reconhecer no filme uma idealização preocupante da mulher brasileira, como se todas vivessem o medo da solidão e as crises em relacionamentos da mesma maneira. Apesar do espírito “problemas de mulher branca e pequeno-burguesa”, é uma comédia que diverte pelo carisma das protagonistas, pelas paisagens europeias agradáveis e por uma história que, se é um mais do mesmo bem redundante, ao menos, evidencia a vocação do cinema nacional para o entretenimento. Às vezes, o escapismo é necessário.

Confira o trailer:

 

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