Dois estudantes brasileiros de apenas 17 anos colocaram o Brasil em destaque na inovação sustentável. Bernardo Renner e Ísis Valentin, de Gravataí, no Rio Grande do Sul, desenvolveram um biocurativo biodegradável chamado Hada, produzido a partir de extratos de babosa, também conhecida como Aloe vera, e camomila.
A principal diferença em relação aos curativos convencionais está no impacto ambiental. Enquanto muitos produtos disponíveis no mercado contêm plásticos e materiais sintéticos que podem permanecer no ambiente por anos, o Hada se decompõe no solo em até 48 horas, segundo os desenvolvedores.
Além da rápida biodegradação, os estudantes escolheram dois ingredientes naturais conhecidos há séculos por suas propriedades terapêuticas. A babosa possui compostos associados à hidratação da pele e ao processo de cicatrização, enquanto a camomila é reconhecida pela ação calmante e anti-inflamatória. A combinação busca oferecer um curativo mais sustentável sem abrir mão da proteção da ferida.
O projeto chamou a atenção internacional e venceu a etapa da América Central e do Sul do The Earth Prize 2026, uma das principais competições mundiais voltadas a estudantes que desenvolvem soluções para desafios ambientais. Como prêmio, Bernardo e Ísis receberam US$ 12.500, valor que será utilizado para aperfeiçoar a tecnologia e avançar nas pesquisas.
O The Earth Prize reúne jovens de diversos países e incentiva projetos que contribuam para reduzir impactos ambientais e promover soluções inovadoras em áreas como saúde, energia, alimentação e sustentabilidade.
Apesar do reconhecimento, o Hada ainda está em fase de desenvolvimento. Antes que possa chegar ao mercado e ser utilizado em hospitais, clínicas ou farmácias, o produto precisará passar por uma série de testes para comprovar sua segurança, eficácia e estabilidade, além de obter a aprovação dos órgãos reguladores.
Mesmo assim, especialistas destacam que iniciativas como essa demonstram o potencial da chamada bioeconomia, que utiliza recursos naturais renováveis para desenvolver produtos capazes de substituir materiais derivados do petróleo e reduzir a geração de resíduos.
O descarte de resíduos de serviços de saúde é um desafio crescente em todo o mundo. Embora os curativos representem apenas uma parte desse volume, alternativas biodegradáveis podem contribuir para diminuir a quantidade de plástico descartado, especialmente se forem produzidas em larga escala.
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