Eva Maria de Jesus, ex-escravizada, construiu a comunidade São Benedito após a abolição
Eva Maria de Jesus, mais conhecida como Tia Eva, nasceu em 1848 na fazenda Ariranha, no sul de Goiás, em plena escravidão. Desde pequena, trabalhou na cozinha da Casa Grande, vivendo em meio à violência e à opressão que marcavam a vida dos escravizados.
Confira:
Mãe de três filhas, Sebastiana, Joana e Lázara, Tia Eva encontrou na fé um refúgio. Devota de São Benedito, padroeiro negro e humilde, ela fez uma súplica: se conseguisse sair da situação de opressão, criaria um lugar para pessoas negras onde a liberdade seria garantida.
Com a abolição da escravidão, Tia Eva tinha 40 anos, três filhas pequenas, uma ferida na perna que não cicatrizava e nenhum recurso financeiro. Mesmo assim, continuou trabalhando na fazenda e passou a ser reconhecida como benzedeira. Em um desses atendimentos, curou a filha de um homem influente na região, que em gratidão lhe deu bois de carga, o ponto de partida para a concretização de seu sonho de liberdade.
Em 1904, Tia Eva, sua família e um grupo de ex-escravizados de Goiás e Minas Gerais iniciaram uma longa viagem até Mato Grosso. A jornada durou meses, feita em carros de boi, com pausas para cultivar roças que garantissem alimento para a viagem.
Na fronteira de Mato Grosso, ao se registrarem, os ex-escravizados tiveram que escolher sobrenomes, já que até então não tinham direito a eles. Foi ali que Eva escolheu o sobrenome “de Jesus”, consolidando sua nova identidade.
No ano seguinte, 1905, o grupo chegou à recém-formada vila de Santo Antônio do Campo Grande e se estabeleceu na região do Olho D’Água, próximo ao córrego Segredo. Ali, Tia Eva fundou a comunidade São Benedito, cumprindo o sonho de criar um espaço de liberdade e resistência para pessoas negras.
A história de Tia Eva é um exemplo de resiliência, fé e luta por liberdade, e continua inspirando as novas gerações a valorizar suas raízes e a memória de seus antepassados.
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