Dados inéditos do sistema Vigitel, divulgados pelo Ministério da Saúde, mostram um retrato preocupante da saúde da população brasileira. Hoje, 62,6% dos adultos estão acima do peso. Em 2006, esse índice era de 42,6%.
A repórter Neli Terra tema mais informações. OUÇA:
O Vigitel monitora fatores de risco e proteção para doenças crônicas por meio de entrevistas telefônicas nas capitais brasileiras e no Distrito Federal. O levantamento mais recente confirma uma tendência contínua de crescimento do sobrepeso e da obesidade, com impacto direto sobre doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, hipertensão e alguns tipos de câncer.
A obesidade, que representa o estágio mais grave do excesso de peso, também avançou de forma consistente. Em 2006, 11,8% dos brasileiros eram obesos. Hoje, esse número se aproxima de 26%, segundo a mesma pesquisa. O crescimento aparece em homens e mulheres, mas é mais acelerado entre adultos de meia-idade.
Entre os fatores associados a essa mudança estão a maior presença de alimentos ultraprocessados na dieta, o consumo elevado de bebidas açucaradas, a redução da atividade física no dia a dia e o aumento do sedentarismo. O Vigitel aponta que uma parcela significativa da população não atinge o nível mínimo recomendado de exercícios, enquanto o tempo em frente a telas segue em alta.
O impacto vai além da saúde individual. O excesso de peso pressiona o Sistema Único de Saúde. Doenças crônicas exigem acompanhamento contínuo, uso prolongado de medicamentos e mais internações. Estudos do próprio Ministério da Saúde indicam que uma parte relevante dos gastos com atenção básica e hospitalar já se relaciona a condições associadas à obesidade.
O cenário também tem recorte social. A pesquisa mostra que o avanço do excesso de peso ocorre em todas as faixas de renda, mas pesa mais em grupos com menor acesso a alimentação saudável, espaços seguros para atividade física e informação de qualidade. Isso amplia desigualdades em saúde ao longo do tempo.
Diante dos números, o governo federal afirma que pretende reforçar políticas de promoção da alimentação adequada, estímulo à prática de atividade física e regulação de alimentos. Entre as frentes estão ações de educação alimentar, incentivo ao consumo de alimentos in natura e discussão sobre publicidade e rotulagem.
O certo é que reverter essa tendência vai exigir mudanças estruturais e de comportamento. O dado central do Vigitel deixa claro o tamanho do desafio. O excesso de peso deixou de ser exceção e passou a ser a condição mais comum entre adultos no Brasil.
Foto: Ascom/SES
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