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Brasil cada vez mais “pet friendly”

Animais deixam de ser exceção e passam a fazer parte da rotina de bares, hotéis, empresas e espaços públicos

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A cultura pet friendly ganhou força no Brasil e deixou de ser tendência de nicho. Hoje, cães e gatos ocupam um espaço cada vez maior na vida urbana, no consumo e nas decisões de negócio. O país já soma  mais de 160 milhões de animais de estimação, segundo dados do setor, e esse número ajuda a explicar por que tantos estabelecimentos passaram a abrir as portas para os pets.

O Brasil é o terceiro maior mercado pet do mundo, atrás apenas de Estados Unidos e China. Estimativas da Abinpet indicam cerca de 67 milhões de cães, 33 milhões de gatos e dezenas de milhões de aves, peixes e outros animais. Na prática, isso significa que mais da metade dos lares brasileiros convive com pelo menos um pet, dado consistente com levantamentos do IBGE.

Esse cenário mudou o comportamento do consumidor. Donos de animais passaram a evitar locais que não aceitam pets. Em resposta, bares, cafés, shoppings, hotéis, condomínios, academias e até escritórios adotaram políticas pet friendly. Plataformas de hospedagem e turismo mostram crescimento contínuo da oferta de hotéis e pousadas que aceitam animais. Em grandes capitais, redes de restaurantes já criaram áreas específicas para clientes acompanhados de cães.

As causas vão além do afeto. O perfil das famílias mudou. Há mais pessoas morando sozinhas, casais sem filhos e idosos que veem nos animais companhia e suporte emocional. A pandemia acelerou esse vínculo. A adoção de pets cresceu, e muitos desses animais permaneceram no centro da rotina mesmo após a retomada da vida presencial.

Do ponto de vista econômico, o impacto é direto. O mercado pet brasileiro movimenta mais de R$ 60 bilhões por ano, com crescimento constante acima do Produto Interno Bruto. Alimentação, saúde, estética, serviços e experiências lideram esse avanço. A lógica pet friendly amplia esse consumo, ao integrar o animal a atividades fora de casa.

A receptividade é alta, mas não unânime. Para os defensores, ambientes pet friendly estimulam convivência, bem-estar e fidelização de clientes. Para os críticos, surgem preocupações com higiene, barulho, segurança e conflitos entre animais e pessoas. Por isso, muitos estabelecimentos adotam regras claras, como uso de coleira, áreas delimitadas e exigência de vacinação em dia.

No cenário internacional, o Brasil avança em linha com países como Estados Unidos, França e Alemanha, onde a presença de pets em espaços públicos já faz parte da cultura urbana. A diferença está na regulamentação. Em vários países, normas municipais definem onde e como os animais podem circular. No Brasil, as regras ainda variam muito entre cidades e estabelecimentos.

A tendência, segundo especialistas do setor, é de consolidação. A cultura pet friendly tende a crescer onde houver equilíbrio entre acolhimento, responsabilidade e respeito coletivo. Para o mercado, ignorar esse movimento significa perder clientes. Para a sociedade, o desafio é adaptar espaços e comportamentos a uma realidade em que os pets deixaram de ser figurantes e passaram a fazer parte do cotidiano.

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