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Calor extremo exige atenção redobrada com os pets

Hipertermia, doenças e risco de morte aumentam no verão, especialmente entre cães e raças de focinho curto

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O verão traz riscos reais para a saúde de cães e gatos no Brasil. Temperaturas elevadas, alta umidade e exposição ao sol aumentam os casos de hipertermia, condição grave causada pelo superaquecimento do corpo. Veterinários alertam que o problema pode levar à falência de órgãos e à morte se não houver atendimento rápido.

O alerta ganha peso em um país com muitos animais de estimação. O Brasil tem hoje cerca de 160 milhões de pets, segundo dados do Instituto Pet Brasil. São aproximadamente 60 milhões de cães, 30 milhões de gatos e o restante distribuído entre aves, peixes e outros animais. Em número de cães, o Brasil só fica atrás dos Estados Unidos.

O risco maior está nos cães. Diferente dos humanos, eles não transpiram pelo corpo. A regulação de temperatura ocorre quase toda pela respiração. Em dias muito quentes, esse mecanismo não dá conta. A temperatura corporal normal de um cão gira em torno de 38 °C. Na hipertermia, pode passar de 41 °C em pouco tempo.

Algumas raças sofrem mais. Cães braquicefálicos, de focinho curto, têm maior dificuldade para dissipar calor. Entram nessa lista buldogue francês, buldogue inglês, pug, shih-tzu, boxer e pequinês. Coincidentemente, essas estão entre as raças mais populares do país. O buldogue francês lidera registros recentes em várias capitais brasileiras.

Idade e peso também influenciam. Filhotes, idosos, animais obesos e aqueles com problemas cardíacos ou respiratórios correm mais risco. Gatos costumam lidar melhor com o calor, mas também podem sofrer desidratação e insolação, sobretudo em ambientes fechados e pouco ventilados.

O calor excessivo favorece outras doenças. Dermatites se tornam mais comuns, devido à umidade e à proliferação de fungos e bactérias. Problemas gastrointestinais aumentam com a deterioração mais rápida de alimentos. Parasitas como pulgas e carrapatos se reproduzem com mais facilidade no verão, elevando o risco de doenças transmitidas por vetores.

Alguns sinais exigem atenção imediata. Respiração ofegante intensa, gengivas avermelhadas ou arroxeadas, apatia, vômitos, salivação excessiva e dificuldade para andar indicam emergência. Nesses casos, a recomendação é levar o animal ao veterinário o mais rápido possível. Medidas caseiras, como água gelada ou gelo direto no corpo, podem piorar o quadro.

A prevenção ainda é a melhor estratégia. Especialistas recomendam água fresca disponível o tempo todo, sombra, ambientes ventilados e passeios apenas nos horários mais frescos do dia. O asfalto pode causar queimaduras nas patas. Um teste simples ajuda: se a mão não aguenta cinco segundos no chão, o pet também não aguenta.

Nunca se deve deixar animais dentro do carro, mesmo com janelas abertas. Em poucos minutos, a temperatura interna pode passar de 60 °C. Piscinas infantis, tapetes gelados e brinquedos congeláveis ajudam no conforto térmico, mas não substituem cuidados básicos.

Com o crescimento da população pet e a popularidade de raças sensíveis ao calor, o verão virou um período crítico para clínicas veterinárias. A combinação de informação, rotina adaptada e atenção aos sinais do corpo do animal faz diferença entre um susto e uma tragédia evitável.

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