Agricultura

Brasil recicla embalagens e bate recorde ambiental

Sistema Campo Limpo destina 900 mil toneladas de embalagens de defensivos e consolida o país como referência em logística reversa no agro

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O Brasil destinou de forma ambientalmente correta cerca de 900 mil toneladas de embalagens vazias de defensivos agrícolas, o maior volume anual já registrado no país. O dado é do Sistema Campo Limpo, programa nacional de logística reversa que reúne fabricantes, distribuidores, cooperativas e produtores rurais. O resultado marca um recorde histórico e reforça a agenda de sustentabilidade no agronegócio brasileiro, mostrando que produção em larga escala e responsabilidade ambiental não precisam andar em sentidos opostos.

O número representa um avanço consistente em relação aos anos anteriores. Em termos simples, o país recolhe e dá destino adequado a mais de 90% das embalagens colocadas no mercado, índice considerado um dos mais altos do mundo nesse tipo de sistema. O material passa por reciclagem ou incineração controlada, conforme o tipo de resíduo, o que evita contaminação do solo, da água e riscos à saúde.

A estrutura por trás desse resultado é ampla. O Sistema Campo Limpo opera uma rede com mais de 400 unidades de recebimento espalhadas pelo país, entre centrais e postos. Só em 2025, milhões de produtores rurais participaram do processo, ao devolver embalagens após o uso, prática prevista em lei desde o início dos anos 2000.

Boa parte das embalagens recicladas volta à cadeia produtiva em forma de novos produtos. Entre eles estão conduítes, caixas de bateria, dutos corrugados e peças para a construção civil. Já os resíduos que não podem ser reciclados seguem para incineração em fornos industriais licenciados, com controle de emissões.

O impacto ambiental é relevante. Segundo estimativas do setor, a reciclagem desse volume evita a emissão de milhões de toneladas de dióxido de carbono ao longo da cadeia e reduz a pressão sobre aterros industriais. Também diminui o descarte irregular, ainda comum em países que não adotam sistemas estruturados de logística reversa.

O avanço ocorre em um contexto de cobrança crescente por práticas sustentáveis no agro. Mercados internacionais, especialmente Europa e parte da Ásia, passaram a exigir comprovação ambiental mais rigorosa na produção de alimentos e commodities. A destinação correta de embalagens entra nesse pacote de exigências, ao lado de rastreabilidade, uso racional de insumos e controle de impactos ambientais.

Especialistas avaliam que o modelo brasileiro virou referência global. Relatórios internacionais apontam o Sistema Campo Limpo como um dos maiores e mais eficientes programas de logística reversa de embalagens agrícolas do mundo, tanto em escala quanto em taxa de retorno.

O desafio agora é manter o ritmo e ampliar a conscientização em regiões mais remotas. Apesar dos índices elevados, ainda existem áreas com dificuldade de acesso às unidades de recebimento. O setor aposta em educação ambiental, ampliação da rede e integração com novas tecnologias para garantir que o recorde não seja um ponto fora da curva, mas um novo patamar permanente.

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