O Carnaval é, sem dúvida, uma festa de encontro, música e liberdade. Mas também é espaço de disputa simbólica: afinal, o que pode e o que não pode quando o corpo do outro entra em cena? É nesse ponto que a campanha “Não É Não” se afirma como uma das ações de comunicação social mais importantes dos últimos anos — especialmente durante o período de folia.
Em sua coluna sobre comunicação no programa “agora 104” da FM Educativa MS, a jornalista Luzimar Collares discute como a campanha atua em diferentes faixas etárias e contextos.
Jovens e valores contemporâneos
A campanha dialoga diretamente com os jovens, utilizando uma linguagem visual e direta, condizente com valores contemporâneos de respeito, consentimento e empatia. A ideia é tornar claro que, independentemente da festa ou da situação, os limites do outro devem ser respeitados.
Adultos e atualização cultural
Para o público adulto, a campanha funciona como uma atualização cultural. A mensagem reforça que comportamentos do tipo “era assim no meu tempo” não têm mais lugar. É uma forma de questionar normas antigas e reafirmar a importância do respeito mútuo em todos os contextos.
Segundo Collares, campanhas como o “Não É Não” precisam ir além do slogan. Para realmente mudar comportamento em um ambiente como o Carnaval — onde tudo parece, mas nem sempre é, permitido —, é fundamental combinar conscientização, exemplos claros de atitudes corretas e diálogo contínuo.
A mensagem é clara: a festa é para todos, mas o respeito é inegociável.
LEI
A Lei 14.786, de 2023, sancionado pela Presidência da República em dezembro de 2023, o protocolo “Não é Não” é destinado a prevenir o constrangimento e a violência contra a mulher em ambientes nos quais sejam vendidas bebidas alcoólicas, como casas noturnas, boates e casas de espetáculos musicais em locais fechados ou shows. .
O texto determina que estabelecimentos tenham pelo menos uma pessoa qualificada para atender ao protocolo. Em situações de violência, esses estabelecimentos deverão tomar medidas como proteger e apoiar a vítima, afastar o agressor, colaborar para a identificação de possíveis testemunhas, solicitar o comparecimento da polícia e isolar o local onde existam vestígios da violência.
Denúncia
Para denunciar qualquer tipo de assédio ou importunação sexual ligue para a Central de Atendimento à Mulher 180. A Polícia Militar de Mato Grosso do Sul também está à disposição da população por meio do número 190, que deverá ser acionado quando a violência estiver acontecendo.
Deixe um comentário