Por Theresa Hilcar
Fiquei sabendo que idoso não é mais velho, é NOLT: new order living trend ou em tradução livre seria algo como: “tendência de viver de uma nova maneira”.
O termo, segundo os inventores, é utilizado para descrever um movimento social relacionado à forma como as pessoas encaram o envelhecimento e organizam suas vidas em fases mais avançadas, sugerindo uma reestruturação das prioridades e do estilo de vida.
Mais uma baboseira criada pelos norte-americanos para que nós, os idosos, tenhamos desejo de consumir mais produtos. Desde frequentar academias de ginástica, suplementos, viagens e toda panaceia de busca pela juventude. Sim, porque não se iludam, aqui não se trata de aceitar as pessoas como elas são – velhas – mas de torná-las mais viáveis ao consumo.
A nova expressão nada tem a ver, por exemplo, com o comportamento dos japoneses que celebram a velhice como sinônimo de sabedoria e honra. Nem dos países como a Suécia, Finlândia, Noruega, que propiciam sistemas de saúde e bem-estar de forma totalmente gratuita para seus idosos.
Ser Nolt tem mais a ver com aquela famigerada expressão “melhor idade” que levou velhinhos e velhinhas ao autoengano. Melhor para quem? Era a pergunta a ser feita. Uma das coisas que tem me irritado profundamente é a imposição ao exercício físico. Não há artigo, entrevista, programa de TV, podcast, que não fale em velhice sem emendar “exercícios físicos”.
Claro que existem os entusiastas de plantão, gente que mesmo a contragosto sucumbe aos ferros, elásticos e barras. No meu caso, aos 68, sou como um amigo de 80 que se orgulha em dizer que nunca comeu alface: eu nunca sucumbi à essa tortura. Em ambos os casos pode parecer tolice (no caso da alface, principalmente), mas minha mãe e avó também nunca fizeram academia.
Muita coisa mudou. Hoje as pessoas ficam mais sentadas, não se movimentam durante o dia, dirigem automóveis, fazem compras em shopping centers e o serviço de casa quase sempre é terceirizado, principalmente para os equipamentos. Aspiradores, máquinas de lavar roupa e louça, cafeteiras, fritadeiras e até máquinas que fazem arroz, sem falar em toda sorte de produtos de limpeza, não eram tão acessíveis quanto hoje – e alguns nem existiam. O exercício físico não era opção, era obrigatório.
Mas sinceramente admiro quem tem a disciplina e a força de vontade para se exercitar. Claro que faz bem. O que me incomoda mesmo é fazer disto uma imposição. Quando alguém me cobra, costumo responder assim: passa lá em casa e me leva. E já aviso: haverá dias em que será preciso me carregar.
Theresa Hilcar é Jornalista, escritora, membro da Academia Sul-mato-grossense de Letras
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