Cão paralítico voltando a andar após tratamento com polilaminina brasileira.
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Cão paralítico volta a andar após tratamento criado por brasileira

Polilaminina ajudou animal a recuperar movimentos após oito semanas de terapia experimental

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Um cão que havia perdido os movimentos voltou a andar após um tratamento experimental com polilaminina, um biomaterial desenvolvido pela pesquisadora brasileira Mayana Zatz e equipes parceiras ligadas à medicina regenerativa.

A repórter Neli Terra participou do “Agora 104” da FM Educativa MS 104.7, e explica. OUÇA:

 

O experimento aconteceu nos Estados Unidos, em um centro de pesquisa associado à Rutgers University, instituição que participa do desenvolvimento da tecnologia voltada à regeneração do sistema nervoso.

O tratamento durou cerca de oito semanas, período em que o animal apresentou recuperação gradual da mobilidade.

A polilaminina é um biomaterial criado para funcionar como suporte à regeneração nervosa. Ela imita estruturas naturais presentes no organismo e ajuda neurônios lesionados a restabelecer conexões. A tecnologia busca estimular reparação de tecidos da medula espinhal e reduzir inflamações após lesões graves.

O cão tratado havia sofrido lesão severa na coluna e perdeu os movimentos das patas traseiras. Segundo os pesquisadores, a aplicação da polilaminina favoreceu o crescimento de novas conexões nervosas. Com o avanço da recuperação, o animal voltou a sustentar parte do peso do corpo e retomou movimentos considerados improváveis em casos semelhantes.

A geneticista Mayana Zatz é uma das principais referências brasileiras em pesquisas sobre doenças neuromusculares e medicina regenerativa. Ela coordena estudos relacionados ao uso da polilaminina em tratamentos experimentais voltados a lesões neurológicas. As pesquisas envolvem universidades brasileiras e centros internacionais.

A polilaminina já foi utilizada em estudos experimentais envolvendo pessoas com lesões medulares. Em alguns casos divulgados pelos pesquisadores, os pacientes apresentaram melhora parcial de movimentos e sensibilidade após o tratamento associado à reabilitação intensiva.

Os cientistas ressaltam que os resultados ainda são preliminares e variam conforme o grau da lesão e o tempo do trauma. Mesmo assim, os avanços aumentaram o interesse internacional na tecnologia brasileira.

Lesões na medula espinhal continuam entre os maiores desafios da medicina moderna. O sistema nervoso possui capacidade limitada de regeneração espontânea. Por isso, pesquisadores buscam alternativas capazes de estimular o reparo neural. Biomateriais, células-tronco e terapias genéticas aparecem entre as principais apostas da ciência.

O caso do cão reacendeu discussões sobre o potencial da medicina regenerativa.  Mas os pesquisadores afirmam que novos testes ainda serão necessários para validar a segurança e a eficácia da polilaminina em larga escala. O objetivo é ampliar estudos clínicos e entender melhor como o material atua em diferentes tipos de lesão.

A possibilidade de restaurar movimentos antes considerados perdidos ainda enfrenta limitações científicas importantes, mas os resultados recentes indicam avanços concretos. Com isso, a pesquisa brasileira passou a ocupar espaço relevante em um dos campos mais complexos da medicina moderna. E o que hoje ainda é experimental pode abrir caminho para novos tratamentos de paralisia e doenças neurológicas no futuro.

Foto: Globo TV
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