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O Assunto é Cinema – Revisitando Jornada nas Estrelas: A Nova Geração

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O Assunto é Cinema é um podcast produzido e apresentado pelos jornalistas Clayton Salles e Daniel Rockenbach. O programa fica disponível todas as quintas, às 20h, no Spotify do Assunto é Cinema.

NOTA E CRÍTICA – Daniel Rockenbach

O Assunto é Cinema revisita “Jornada nas Estrelas: A Nova Geração” (1987), série produzida e criada por Gene Roddenberry. A trama acompanha a tripulação da Enterprise D em aventuras que se passam mais de 100 anos depois da missão de cinco anos da Enterprise original. O capitão Jean Luc Picard comanda a nave com o apoio de uma tripulação diversa rumo a novas aventuras, audaciosamente indo onde ninguém jamais esteve.

A nova geração de Jornada nas Estrelas trouxe uma série de mudanças muito bem vindas para a franquia. O tenente Data interpretado por Brent Spiner é um andróide que tenta descobrir o que é ser humano. O comandante Worf é um Klingon interpretado por Michael Dorn que tenta se encontrar dentro de uma Frota Estelar que agora está em paz com os antigos rivais. O engenheiro Geordi La Forge de Levar Burton é cego, mas seu visor o permite enxergar um espectro ainda maior de luz. A conselheira betazed Deanna Troi de Marina Sirtis dá valiosos conselhos emocionais para a tripulação, valorizando suas capacidades empáticas e ampliando as possibilidades de entendimento entre as diferentes espécies.

A Dra Beverly Crusher interpretada por Gates McFadden trazia o filho para a ponte, o jovem Wesley Crusher de Wil Wheaton, um dos personagens mais divisivos entre os fãs da série. Mas, para além da diversidade, a principal mudança veio na figura do capitão que agora transferia todo o ímpeto e a disposição para situações de risco para o primeiro oficial, o comandante William Riker de Jonathan Frakes. Para o capitão, os produtores pensaram em um homem maduro, diplomático, mais próximo do racional Spock do que do atrevido Kirk da série original.

A escolha do ator não foi tarefa fácil e a indicação de Patrick Stewart veio quando o produtor Robert Justman assistiu uma apresentação do ator em uma encenação de Shakespeare na UCLA. Justman ficou encantado com o talento do intérprete a ponto de indicar o nome para Gene Roddenberry para os testes para o papel. Roddenberry ficou um tanto contrariado por achar Stewart velho e inglês demais para interpretar um francês, mas acabou aceitando o ator depois dos testes e da reação do estúdio com o desempenho de Patrick Stewart.

O capitão Jean Luc Picard de Patrick Stewart era racional, sofisticado e muito mais aberto ao diálogo que o capitão Kirk de William Shatner. Uma das grandes incoerências questionadas pelos fãs de ficção científica era a de que numa nave com centenas de tripulantes, por que justamente o capitão desceria em missões arriscadas junto aos seus principais oficiais. O grande elemento de virada da nova geração de Jornada nas Estrelas está em como Patrick Stewart deu vida a um capitão que só se expunha para resolver grandes questões diplomáticas, sem nunca ferir a sagrada primeira diretriz que determinava que a Federação jamais poderia interferir no curso de culturas em desenvolvimento, algo que Kirk e sua tripulação sempre fizeram.

A descolonização proposta pela nova série ganhou ainda mais profundidade com a atuação de Patrick Stewart que entregou grandes performances como a da parte dois do episódio “Cadeias de Comando” onde ele é torturado e ainda assim se recusa a dizer ao torturador o que ele quer ouvir. Sua postura neste e em outros tantos episódios é fruto do talento do ator que ainda era capaz de provocar risadas, inclusive nos bastidores de gravação, ou entregar atuações comoventes como no episódio “A Luz Interior” onde ele revive toda uma vida de um cientista cujo planeta está prestes a ser consumido por sua estrela. A cena onde Picard lembra de tocar uma flauta através das memórias do falecido alienígena é uma das mais tocantes de toda a franquia.

A produção sofreu muito para emplacar com os fãs que seguiam revoltados com a substituição da tripulação original. Gene Roddenberry insistia em um rumo mais tradicional para a série até ser substituído pelo estúdio que colocou o produtor Rick Berman em seu lugar a partir da terceira temporada. A virada trouxe os famigerados Borg, adversários biomecânicos que trouxeram uma nova perspectiva para a franquia, principalmente depois de assimilar o capitão Picard no final da terceira temporada, um dos maiores cliffhangers da história da TV norte-americana que só viria a ser resolvido na temporada seguinte, quando a tripulação resgatou seu capitão.

O sucesso da nova geração de Jornada nas Estrelas veio na esteira de episódios que traziam paralelos com os conflitos étnicos e religiosos do fim da década de oitenta e isso abriu caminho para outras produções como a “A Nova Missão”, como a série “Deep Space 9” ficou conhecida no Brasil. Foi o capitão Jean Luc Picard quem deu o pontapé inicial para a trama que estabelecia grandes paralelos temáticos com a guerra na Bósnia e o cerco em Sarajevo e outras tantas cidades. Foi a atuação sempre serena e madura de Patrick Stewart que deu vida a um personagem que trouxe tantas questões importantes do contemporâneo para as telas da TV.

Todas as temporadas da série “Jornada nas Estrelas: A Nova Geração” (1987) estão disponíveis no serviço de streaming gratuito Pluto TV.

Nota: 11.

Confira o trailer da primeira temporada de “Jornada nas Estrelas: A Nova Geração”:

 

Foto em destaque: Divulgação.

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