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Brasil registra mais de 546 mil afastamentos por saúde mental em 2025, segundo especialistas

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O Brasil registrou mais de 546 mil afastamentos do trabalho por problemas de saúde mental em 2025, alcançando um recorde negativo pela segunda vez em uma década. Os dados, divulgados pelo Ministério da Previdência, indicam que a ansiedade foi responsável por mais de 166 mil afastamentos e a depressão por quase 127 mil casos.

Especialistas alertam que a tendência de aumento desses transtornos deve se manter, impulsionada por vínculos de trabalho precários, jornadas longas e instabilidade profissional. Para discutir o tema, o programa “Agora 104” da FM Educativa MS recebeu o psiquiatra Eduardo Araújo, especialista em saúde mental.

“O Brasil passa por um momento de incertezas, e o cérebro humano precisa de previsibilidade. A instabilidade econômica e a insegurança em relação ao emprego geram sofrimento, angústia e ansiedade, levando ao adoecimento relacionado ao trabalho”, explicou Araújo.

Segundo o especialista, a busca excessiva por desempenho e a tentativa de mostrar indispensabilidade no trabalho muitas vezes levam o trabalhador a negligenciar cuidados essenciais com a própria saúde, como lazer, vida social e descanso.

O ambiente de trabalho também contribui para o adoecimento. “Ambientes tóxicos, chefes despreparados, cobranças excessivas por metas e relações interpessoais ruins podem acelerar quadros de burnout, que é o esgotamento físico e psicológico relacionado ao trabalho”, alertou Araújo.

O psiquiatra ressaltou que sinais de alerta incluem cansaço persistente, dificuldade de concentração, sofrimento antecipatório em relação ao trabalho, irritabilidade e mudanças comportamentais, como isolamento social. “É comum pacientes relatarem crises de ansiedade aos domingos à noite, antes de uma nova semana de trabalho”, destacou.

Araújo ainda chamou atenção para o impacto da cultura de hiperprodutividade e comparações com inteligência artificial. “Não somos máquinas. Respeitar limites é essencial para manter a saúde mental e a produtividade. Gestores e empresas precisam humanizar seus ambientes e reconhecer os limites dos funcionários”, afirmou.

Para prevenção, o psiquiatra recomenda que trabalhadores valorizem todas as dimensões de suas vidas: lazer, relacionamentos, atividade física, alimentação adequada, descanso e espiritualidade. “Se você vive apenas para o trabalho, a longo prazo não haverá saúde mental. É preciso enxergar-se como ser humano e não apenas como trabalhador”, concluiu.

Confira a entrevista:

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