Saúde

Brasil registra  mais de 80 casos de Mpox e alerta autoridades de saúde

Doença viral retorna ao noticiário com transmissões por contato próximo e casos em várias regiões brasileiras

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O Brasil já contabiliza mais de 80 casos confirmados de Mpox neste ano, segundo atualizações de autoridades de saúde. A infecção viral voltou a chamar atenção no país após confirmações em estados como São Paulo, Rio Grande do Sul e recentemente Paraná, e reforçou a necessidade de reforçar vigilância epidemiológica e medidas de prevenção.

Mpox é uma doença zoonótica causada pelo vírus MPXV, pertencente à mesma família da varíola. O vírus foi identificado primeiro em 1958 em macacos mantidos em laboratório, mas seu hospedeiro natural ainda não é totalmente conhecido; roedores têm papel relevante na circulação na natureza. A Mpox infecta humanos desde 1970, quando foi registrada pela primeira vez na República Democrática do Congo. 

Os sintomas começam em média 10 dias após a exposição ao vírus. Inicia com febre, dores de cabeça, fadiga e aumento dos gânglios linfáticos. Depois, surgem erupções cutâneas ou lesões na pele, que podem evoluir para bolhas e crostas. A doença pode durar de duas a quatro semanas, e muitas pessoas se recuperam com cuidados clínicos básicos.

A transmissão ocorre principalmente por contato próximo com pele lesionada, fluidos corporais ou objetos contaminados, como roupas e roupas de cama. A transmissão pessoa a pessoa também pode acontecer por contato físico prolongado ou por secreções respiratórias em situações de proximidade. 

O primeiro caso de Mpox no Brasil foi confirmado em 2022, em São Paulo, como parte de um surto global que se espalhou para além das áreas endêmicas da África. Desde então, o país tem registrado casos esporádicos e clusters de transmissão local, sem surto explosivo neste início de ano.

Em 2026, confirmações recentes incluem um caso em Porto Alegre, onde a infecção teria ocorrido fora da capital, e dezenas de casos registrados em São Paulo e outras cidades em janeiro. Esse padrão indica circulação contínua do vírus e reforça vigilância, mesmo em locais sem histórico de exposição recente. 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) mantêm monitoramento global da doença. Um relatório recente da OMS mostra que vários países ainda reportam casos e algumas variantes de Mpox circulam em diferentes regiões. A perspectiva é de que a doença continue a aparecer de forma isolada ou em pequenos agrupamentos, mas não há indicação de surto generalizado no Brasil até o momento.

A identificação de novas variantes em outros países, como no Reino Unido e na Índia, reforça a necessidade de vigilância contínua, embora não haja evidências claras de maior gravidade associada a essas variantes no Brasil até agora.

Não existe tratamento antiviral específico aprovado para Mpox amplamente disponível, e a abordagem principal é controle de sintomas e prevenção da transmissão. A OMS recomenda isolamentos de casos suspeitos, evitar contato físico próximo com pessoas infectadas e não compartilhar objetos pessoais como roupas de cama, toalhas ou utensílios que possam estar contaminados.

Pessoas com sintomas compatíveis devem procurar atendimento médico e buscar confirmação laboratorial em unidades de saúde. O diagnóstico é feito por exames que detectam o DNA viral em amostras das lesões ou material suspeito.

Vacinas originalmente desenvolvidas para a varíola, como a ACAM2000, podem oferecer proteção contra Mpox, mas seu uso é mais comum em grupos de alto risco e sob indicação médica, e não substitui as medidas de prevenção pública. 

Embora a maioria dos casos confirmados no Brasil até agora tenha apresentado sintomas leves a moderados, a situação reacende a discussão sobre a importância de vigilância epidemiológica contínua e educação em saúde pública. A Mpox não chegou a níveis epidêmicos no país atualmente, mas sua presença implica em manter fluxos de notificação, investigação e orientação à população para reduzir transmissões e evitar complicações.

A evolução da doença globalmente e a complexidade de detecção tornam o monitoramento essencial para antecipar possíveis alterações no padrão de disseminação, principalmente em áreas urbanas e em populações mais vulneráveis.

Foto: AgênciaBrasil

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