O Brasil voltou a registrar queda no número de nascimentos em 2024, marcando o sexto ano consecutivo de redução, segundo dados mais recentes do IBGE. O país contabilizou pouco mais de 2,5 milhões de nascidos vivos, uma diminuição que confirma a tendência de envelhecimento da população e de famílias cada vez menores.
O movimento acompanha a mudança demográfica observada há mais de uma década, mas agora se torna mais acentuado. Em 2015, o Brasil ainda registrava cerca de 3 milhões de nascimentos por ano. Desde então, a curva aponta para baixo, influenciada por fatores como queda da fecundidade, maior participação da mulher no mercado de trabalho, planejamento familiar mais amplo e aumento do custo de vida. O índice de fecundidade do país, hoje próximo de 1,6 filho por mulher, está abaixo da taxa de reposição populacional, estimada em 2,1.
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O estudo do IBGE também mostra que, na direção oposta, o número de óbitos cresceu. Foram aproximadamente 1,6 milhão de mortes no ano, aumento que reflete o envelhecimento da população e a maior incidência de doenças crônicas em faixas etárias mais avançadas. Em alguns estados, como Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, a quantidade de óbitos já supera o número de nascimentos, fenômeno conhecido como crescimento vegetativo negativo.
O país se aproxima de uma nova fase demográfica, em que a população tende a envelhecer mais rápido. Isso traz impacto direto em políticas públicas de saúde, previdência, educação e mercado de trabalho. Especialistas destacam que a redução prolongada dos nascimentos pode pressionar o financiamento de sistemas previdenciários e exigir maior investimento em cuidados de longa duração para idosos.
Mesmo com a queda, os nascimentos seguem concentrados nas regiões Norte e Nordeste, que ainda mantêm taxas de fecundidade mais altas em comparação ao Sul e Sudeste. Já os óbitos crescem mais rapidamente em áreas com população mais envelhecida.
A continuidade desse cenário indica que desafios estruturais devem se intensificar ao longo da próxima década. O IBGE projeta que a população brasileira pode começar a diminuir de forma absoluta por volta de 2040 se a tendência atual de queda nos nascimentos e aumento dos óbitos se mantiver.
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