Consumir queijo regularmente pode estar associado a um menor risco de desenvolver demência ao longo dos anos, sugerem estudos publicados em 2025. A pesquisa mais abrangente, publicada na revista Neurology e conduzida por pesquisadores da Universidade de Lund, na Suécia, acompanhou mais de 27 mil adultos por cerca de 25 anos e encontrou uma correlação entre ingestão de queijo com alto teor de gordura e menor incidência do problema cognitivo ao longo da vida.
Segundo os dados, pessoas que consumiam pelo menos 50 gramas de queijo com mais de 20 por cento de gordura por dia – o equivalente a duas fatias ou cerca de meia xícara ralada – tiveram um risco geral de demência cerca de 13% menor do que aquelas que ingeriam menos queijo. Além disso, quando os pesquisadores analisaram tipos específicos da condição, verificaram que o risco de demência vascular foi ainda menor entre os maiores consumidores de queijo, um declínio de quase 3 em cada 10 casos comparado aos que comiam pouco ou nenhum queijo.
Os pesquisadores enfatizam que os achados mostram associação, não causalidade – ou seja, o estudo não prova que o queijo seja a causa direta da redução do risco, apenas que os dois fatores parecem ocorrer juntos ao longo do tempo. Ainda assim, a equipe apontou que componentes nutricionais do queijo, como vitaminas do grupo B e K, além de gordura e proteínas específicas, podem desempenhar um papel no metabolismo cerebral e na saúde dos vasos sanguíneos.
Outras evidências complementares contribuíram para reforçar essa visão. Pesquisa realizada no Japão acompanhou cerca de 8 mil adultos com 65 anos ou mais por três anos e indicou que quem consumia queijo pelo menos uma vez por semana teve um risco cerca de 25% menor de desenvolver demência do que quem raramente consumia o alimento. Essa diferença, embora modesta, foi estatisticamente significativa e consistente com o padrão observado em estudos de acompanhamento mais longo.
Especialistas em nutrição e saúde cerebral explicam que o efeito potencial do queijo sobre a demência provavelmente está ligado a múltiplos fatores, incluindo a presença de micronutrientes que auxiliam na função neural, proteínas que mantêm a integridade dos tecidos e compostos gerados pela fermentação que podem beneficiar a microbiota intestinal — um fator cada vez mais associado à saúde cognitiva.
Apesar desse conjunto de evidências, pesquisadores e médicos alertam que o consumo de queijo não deve ser visto como um “remédio” isolado contra a demência. Outros fatores têm impacto muito mais claro e comprovado sobre o risco da doença, como atividade física regular, controle da pressão arterial, evitar tabagismo, manter peso saudável e dieta equilibrada, apontam especialistas.
Além disso, o tipo de queijo pode fazer diferença. Estudos observacionais recentes indicam que o benefício foi observado com queijo de alto teor de gordura, enquanto versões com baixo teor de gordura ou outros produtos lácteos, como leite e iogurte, não mostraram a mesma associação com menor risco de demência.
A associação entre queijo e menor risco de demência também foi observada em uma análise prévia, que sugeriu que adultos que comiam quantidades maiores de queijo ao longo de muitos anos tinham um risco de declínio cognitivo bem menor que aqueles que raramente consumiam o alimento, apesar das diferenças culturais e alimentares entre as populações estudadas.
Embora ainda sejam necessárias mais pesquisas para confirmar causalidade e entender mecanismos, o consumo regular de queijo aparece em várias investigações como um possível indicador de redução do risco de demência, especialmente quando parte de um padrão alimentar equilibrado e saudável.
Imagem gerada pelo Canva
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