A economia brasileira deve crescer menos em 2026. A projeção de alta do PIB gira em torno de 1,8%, sinal de desaceleração depois de um ciclo mais forte puxado por agro, emprego e consumo. A estimativa aparece nas expectativas do mercado monitoradas pelo Banco Central e em relatórios de instituições que acompanham o Brasil de perto.
A repórter Neli Terra tem mais informações. OUÇA:
Fatores considerados para a projeção
1. Juros seguem pesando no bolso e nas empresas
Com a Selic em patamar alto, o crédito fica caro. Isso segura compras grandes, investimento e expansão de negócios. O próprio Banco Central trabalha com crescimento moderado para 2026 e aponta que a política monetária restritiva segue como freio relevante.
2. Menos impulso e mais cautela na atividade
Relatórios do Banco Central indicam uma economia perdendo ritmo ao longo do tempo, com efeitos aparecendo em consumo e investimento. A leitura é de continuidade da moderação, em vez de queda brusca.
3. Cenário externo menos amigável do que parece
Incerteza global, comércio mais instável e desaceleração em alguns parceiros comerciais costumam bater no câmbio, nos preços e nas exportações. É aquele “vento contra” que não derruba sozinho, mas atrapalha o passo.
Como fica 2026 no placar das instituições
As projeções não são idênticas, mas apontam para a mesma direção: crescimento menor e mais “trabalhoso”.
* Banco Central: estimativa ao redor de 1,6% para 2026 em relatório mais recente.
* OCDE: 1,7% em 2026, com retomada depois.
* FMI: cenário de desaceleração em 2026, com crescimento global também perdendo fôlego.
* Banco Mundial: Brasil crescendo menos adiante, na mesma linha de moderação depois de 2024.
Na prática, os menos de 2% de crescimento mostram um ritmo que não “esconde” problemas como custo do crédito, gargalos de produtividade e incerteza fiscal.
O Brasil em relação ao mundo
O FMI projeta crescimento global próximo de 3% em 2026, com economias avançadas crescendo bem menos do que emergentes. O Brasil tende a ficar abaixo do ritmo médio dos emergentes e mais próximo de um crescimento “mediano”, sem boom nem colapso.
Dois tipos de surpresa costumam mexer nesse número:
* Para cima: inflação mais controlada permitindo juros menores, investimento reagindo, safra muito forte ou exportações ganhando tração.
* Para baixo: aperto financeiro prolongado, clima atrapalhando agro, piora no cenário externo ou incerteza doméstica travando decisões.
Com isso, 2026 deve ser um ano em que o Brasil vai crescer, mas “com cinto apertado”, afetando, ao mesmo tempo, emprego, crédito, consumo e humor do mercado.
Foto: AgênciaBrasil
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