Agricultura

Inadimplência no agronegócio passa de 8% e preocupa setor

Levantamento da Serasa Experian mostra piora contínua no endividamento rural; custos elevados, crédito caro e crédito externo pressionam produtores

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A inadimplência dos produtores rurais no Brasil alcançou 8,1% no segundo trimestre de 2025, segundo dados divulgados pela Serasa Experian. O número representa um aumento de 0,3% em relação ao trimestre anterior e de 1,1% em relação ao mesmo período de 2024. 

O cálculo da Serasa considera dívidas com atraso superior a 180 dias, valores mínimos de R$ 1.000 e até cinco anos de vencimento, no universo de cerca de 10,5 milhões de produtores rurais mapeados. Entre os estados a variação é grande. A menor taxa de inadimplência é do Rio Grande do Sul  (4,9%) e a maior, do Amapá (19,5%).

Entre os principais fatores para a alta, os especialistas apontam para três vetores de pressão: a alta no custo de produção, que inclui fertilizantes, defensivos e energia, a variação volátil nos preços das commodities como soja e milho e o crédito rural mais caro, em contexto de taxa Selic alta. A Serasa afirma que “o agronegócio enfrenta desafios de fluxo de caixa acumulados nos últimos três a quatro anos”. 

Produtores sem registro formal no Cadastro Ambiental Rural (CAR) ou que arrendam terras lideram a inadimplência, com índice de 10,5%. Grandes proprietários registraram 9,2%, médios produtores 7,8% e pequenos 7,6%. 

Crédito interno versus bancos

Embora a média geral seja de 8,1%, o estudo mostra que em operações feitas dentro da cadeia agroindustrial — insumos, revendas, serviços — a inadimplência é muito mais baixa: 0,3% para “Setor Agro” e 0,1% para “Outros setores relacionados”. Já o segmento dos bancos e instituições financeiras registra cerca de 7,2%. 

Impactos para o setor

O cenário indica que o agronegócio passa por um momento de ajuste, com necessidade de maior disciplina financeira, renegociação de dívidas e adaptação a custos mais altos. O relatório da Serasa prevê que a atenção ao crédito rural será ainda maior em 2026. Uma inadimplência elevada pode reduzir a capacidade de investimento dos produtores, pressionar pragas e custos logísticos, elevar os riscos para financiadores e afetar a cadeia de suprimentos. Armazenagem, transporte e seguro agrícola terão papel decisivo para manter a competitividade. 

Inadimplência em MS

Em Mato Grosso do Sul, o indicador de inadimplência do agronegócio (considerando dívidas vencidas há mais de 180 dias) está em 7,1%.  Esse valor está 1% abaixo da média nacional (8,1%) para o setor agro rural. Também fica abaixo da média da Região Centro-Oeste, que chegou a cerca de 7,9% no primeiro trimestre de 2025 para a população rural.  Em valor monetário, em 2024, as dívidas bancárias do setor agro em MS somaram aproximadamente R$ 1,235 bilhões.  Já a dívida negativada apresentou crescimento em MS. Um relatório mostra que no último trimestre de 2024 houve aumento de 74,6% no valor dessas dívidas. 

Comparativos regional e nacional

Mesmo com a menor taxa (7,1%) entre os estados da região Centro-Oeste, a inadimplência em MS está em crescimento, o que indica que os produtores locais também estão sob pressão de custos, clima e crédito caro — mesmo que em situação um pouco melhor que a média nacional ou regional.  

O perfil “menos pior” de MS pode também estar relacionado a boas práticas de crédito ou estrutura favorecida, mas isso não isenta o estado da necessidade de atenção a crédito, armazenagem, logística e seguro agrícola. O valor de R$ 1,235 bilhões em dívidas mostra que, mesmo com menor porcentagem de inadimplência, o montante em disputa é elevado, o que implica risco de impacto local significativo. 

Os especialistas apontam as irregularidades no clima e as safras afetadas (como milho ou soja) como maiores responsáveis pelo aumento dos riscos financeiros.  Ou seja: apesar da vantagem relativa, Mato Grosso do Sul não escapa do cenário de risco.

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