Nacional - economia

Juros seguem pressionados para alcançar meta de inflação

Com a Selic mantida em 15% pela quarta vez, Brasil encerra o ano com a segunda maior taxa de juros do mundo

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O Banco Central decidiu manter mais uma vez a taxa básica de juros em 15 por cento, encerrando 2025 com o custo do crédito no maior patamar em quase vinte anos. A decisão unânime do Comitê de Política Monetária confirma a estratégia da autoridade monetária de segurar a inflação dentro da meta diante de um cenário ainda considerado arriscado para redução da taxa.

A Selic permanece nesse nível desde abril. Segundo o Banco Central, a combinação de demanda aquecida, núcleos de inflação ainda elevados e incertezas fiscais impede qualquer sinalização de corte no curto prazo. No último Relatório de Inflação, a projeção para o IPCA de 2025 ficou próxima ao teto da meta, que é de 4,5 por cento, o que reforça a postura conservadora adotada pela instituição.

A taxa de 15 por cento é a mais alta desde 2006, ano em que o país ainda enfrentava ajustes estruturais e juros muito acima da média internacional. Na prática, o nível atual encarece o crédito para famílias e empresas, reduz o ritmo da economia e afeta setores como comércio, indústria e construção civil. Linhas de financiamento imobiliário e empréstimos de longo prazo também usam a Selic como referência, o que pressiona custos e adia decisões de investimento.

O Banco Central reconhece que a política monetária dura pesa sobre a atividade, mas afirma que o controle firme da inflação é condição essencial para reduzir juros no futuro. A avaliação é de que cortes prematuros poderiam reacelerar os preços, especialmente em um contexto de alimentos mais caros e serviços ainda pressionados.

Economistas destacam que o efeito total dessa taxa sobre a economia será mais visível ao longo de 2026, quando o consumo pode desacelerar de forma mais clara. A perspectiva de redução da Selic depende de melhora nas expectativas fiscais, recuo consistente da inflação e menor volatilidade internacional.

Com a taxa mantida pela quarta vez, o Brasil encerra 2025 com um dos juros reais mais altos do mundo. A pergunta que se impõe agora é quando haverá espaço para começar a flexibilização monetária, movimento aguardado por empresas, consumidores e governos estaduais e municipais.

Imagem gerada por I.A

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