Na edição desta segunda-feira (8) do programa Agora 104, da FM Educativa MS, os jornalistas Glaura Villalba e Fábio Madeira abriram a transmissão com o depoimento de uma das organizadoras do Levante Mulheres Vivas MS, realizado no domingo (7) no centro de Campo Grande.
O ato, de caráter pacífico, reuniu manifestantes na esquina da Avenida Afonso Pena com a Rua 14 de Julho. De lá, o grupo seguiu em marcha por duas quadras, acompanhando a mobilização nacional que ocorreu em diversas capitais e cidades do país. Segundo as organizadoras, a ação buscou chamar atenção para o avanço da violência de gênero no Mato Grosso do Sul e exigir respostas mais efetivas do poder público.
Uma das integrantes da coordenação regional, Cristianne Santanna, destacou a importância de denunciar comportamentos e estruturas que sustentam a violência contra a mulher, praticadas por homens que, segundo ela, “não conseguem se relacionar de forma saudável com as mulheres”.
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Números alarmantes em MS
Dados divulgados pela Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) mostram que, somente em 2025, já foram registrados 38 feminicídios no estado — entre as vítimas, duas eram crianças. Até 14 de novembro, a pasta contabilizou ainda 75 tentativas de feminicídio, mais de 1,8 mil casos de estupro e 18,5 mil ocorrências de violência doméstica.
A Secretaria de Estado de Saúde também aponta que a violência continua sendo o agravo mais frequente entre as notificações obrigatórias registradas em unidades públicas e privadas de saúde. Das 24.247 notificações feitas neste ano, 11.848 são relativas a situações de violência, o equivalente a 48,86% do total. As mulheres representam 62,8% dessas ocorrências, somando 7.436 casos, o que significa que a violência contra a mulher corresponde a 30,6% de todos os agravos registrados no estado.
Na série histórica dos últimos dez anos, o cenário mantém-se igualmente preocupante: foram 109.351 casos de violência em um universo de 206.091 notificações, consolidando o problema no topo dos registros de agravos à saúde.
Mobilização permanente
Para as organizadoras do Levante, os números confirmam a existência de uma “epidemia de violência de gênero” que atravessa gerações e exige ações urgentes da sociedade e do Estado.
“Por nossas mulheres, e por todas que perderam a vida e a alegria de viver por conta de seus agressores, essa luta não pode parar”, concluiu o movimento.
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