As ineficiências estruturais levam o Brasil a desperdiçar todos os anos cerca de R$ 1,7 trilhão. Se fossem resolvidas, essas ineficiências barateariam custos de produção, investimento e comércio. Esse valor representa cerca de 20% do Produto Interno Bruto (PIB) e foi calculado pelo Movimento Brasil Competitivo (MBC), em parceria com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e com apoio técnico da Fundação Getúlio Vargas (FGV), por meio do Observatório do Custo Brasil. O montante de R$ 1,7 trilhão anual é comparável ao orçamento federal para várias áreas prioritárias. Esse dinheiro representa recursos que o país deixa de investir em saúde, educação, infraestrutura e inovação devido a entraves que poderiam ser eliminados com reformas estruturais.
A repórter Neli Terra tem mais detalhes. OUÇA:
O que gera esse prejuízo
O “Custo Brasil” reúne diversos entraves que encarecem e complicam a atividade econômica, desde a abertura de uma empresa até a chegada de produtos ao consumidor final. Entre os principais fatores estão: tributos elevados e complexos, excesso de burocracia, alto custo da energia elétrica e de crédito, infraestrutura de transporte e logística deficiente, dificuldades de acesso à mão de obra qualificada, insegurança jurídica e regulação ineficiente.
O custo para financiar negócios, que é muito mais alto no Brasil do que em países desenvolvidos; tarifas de energia e gás muito acima da média internacional para as indústrias; estradas, portos e modais logísticos caros e ineficientes, prejudicando o transporte de mercadorias; exigências tributárias excessivas que levam empresas a gastar tempo e recursos demais para cumprir; e produtividade limitada pela falta de mão de obra com qualificação adequada são alguns exemplos práticos dessa equação.
Impacto sobre empresas e consumidores
Para o setor produtivo, o peso dessas ineficiências diminui a competitividade global dos produtos brasileiros. O resultado é investimento menor, menos geração de empregos e menor capacidade de inovação. Para o consumidor, o “Custo Brasil” aparece no preço mais alto de bens e serviços e na demora para ter acesso a crédito, bens duráveis e infraestrutura.
Segundo levantamento recente, de cada 10 empresários, sete apontam a carga tributária como o principal entrave; 62% citam a falta de mão de obra qualificada; 27% mencionam o custo elevado do crédito como barreira; além disso, problemas em infraestrutura e burocracia também estão entre os obstáculos mais frequentes.
Soluções possíveis
O Observatório do Custo Brasil não se limita a apontar o problema. O estudo identificou 12 eixos-chaves de competitividade, como infraestrutura, tributação, energia, logística, crédito, mão de obra e regulação, e monitora sete iniciativas prioritárias cujo impacto poderia reduzir em até R$ 530 bilhões por ano os custos extras da economia nacional.
Entre os caminhos apontados estão simplificação tributária, reforma da logística e transporte, abertura de mercado de gás natural, energia elétrica mais competitiva, crédito empresarial mais acessível, expansão da banda larga, capacitação profissional e modernização do ambiente regulatório e jurídico.
Especialistas e empresários destacam que reduzir o Custo Brasil significa tornar o país mais competitivo, atrair investimentos, gerar empregos e tornar bens e serviços mais acessíveis. Em última instância, a conta do ajuste poderia refletir diretamente no bolso das pessoas — com preços menores, mais oferta de vagas de trabalho e crescimento econômico.
Se as medidas de redução forem implementadas, o Brasil pode ganhar em produtividade, competitividade internacional e qualidade de vida para a população. E uma reforma como essa não depende apenas do governo. É preciso que empresas, estados e sociedade civil dialoguem e pressionem por um ambiente de negócios mais eficiente e justo.
Deixe um comentário