No segundo dia do Festival América do Sul, realizado nesta sexta-feira (15), em Corumbá, a programação segue reunindo manifestações artísticas, musicais e culturais que reforçam a diversidade dos povos sul-americanos. O evento, que acontece até domingo (17), transforma a cidade em um espaço de encontros entre tradições, idiomas, histórias e expressões populares, destacando também o papel do Pantanal como território de integração cultural.
Mas, para além dos palcos e apresentações, existe uma América do Sul construída pelas palavras, pela memória e pela literatura. Os livros e as narrativas produzidos no continente ajudam a compreender a identidade cultural dos povos sul-americanos e das regiões de fronteira, como Corumbá e o Pantanal.
Para discutir essa relação entre literatura, identidade e território, os jornalistas Leonardo Paraná e Zilda Vieira conversaram com o colunista do programa “Agora 104”, da FM Educativa MS 104, o professor doutor Wagner Abdul.
Durante a entrevista, Wagner Abdul destacou que existe uma identidade literária sul-americana marcada por temas em comum, como as relações com o território, os conflitos sociais, as memórias coletivas e a valorização das culturas populares e indígenas. Segundo ele, apesar das diferenças linguísticas e históricas entre os países, a literatura do continente compartilha experiências ligadas à colonização, às desigualdades sociais e às resistências culturais.
O professor também ressaltou a importância das cidades de fronteira na formação cultural e literária. Para ele, municípios como Corumbá funcionam como espaços de trocas permanentes entre diferentes povos, influenciando diretamente a produção artística e intelectual da região. A convivência entre idiomas, costumes e tradições cria narrativas próprias, marcadas pela diversidade e pela experiência do encontro.
Sobre o legado do Festival América do Sul, Wagner Abdul afirmou que o evento fortalece a valorização da cultura regional e amplia o acesso da população às produções literárias e artísticas do continente. Além disso, o festival contribui para consolidar Mato Grosso do Sul como um espaço de integração cultural sul-americana, estimulando novas reflexões sobre identidade, pertencimento e memória coletiva.
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