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Piscicultura cresce no Brasil e fortalece a cadeia da proteína animal

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A equipe do programa AgroEducativa MS segue produzindo reportagens especiais sobre a cadeia produtiva da proteína animal. Já mostramos a criação de avestruzes, búfalos, suínos e frangos de corte. Desta vez, o destaque é para o peixe, uma atividade que cresce de forma consistente no Brasil e em Mato Grosso do Sul.

Confira a reportagem:

O país possui uma costa com mais de 8 mil quilômetros de extensão, de onde são extraídas diversas espécies de peixes e crustáceos. Estima-se que existam cerca de 1.300 espécies marinhas catalogadas. Nos rios brasileiros, a fartura também impressiona: mais de 2.500 espécies de peixes de água doce já foram registradas.

De acordo com dados da Associação Brasileira da Piscicultura, o Brasil produziu, no ano passado, quase 1 milhão de toneladas de pescado. Essa produção envolve cerca de 110 mil propriedades rurais e gera aproximadamente 600 mil empregos diretos e indiretos em todo o país.

Entre as espécies cultivadas, a tilápia, de origem africana, se consolidou como a mais produzida e consumida no Brasil. Do total de pescado produzido no último ano, cerca de 70% corresponde à tilápia. Em Mato Grosso do Sul, a produção chegou a 22 mil toneladas no mesmo período.

Durante o período da piracema, entre novembro e fevereiro, ocorre a reprodução assistida em propriedades especializadas. Em uma fazenda localizada em Três Lagoas (MS), espécies típicas do Pantanal são criadas em cerca de 40 tanques. Segundo o empresário Luía Corce Filho, existem dois tipos de reprodução no local: a reprodução induzida, utilizada para a produção de peixes híbridos, como o cruzamento entre pacu e tambaqui, e a reprodução natural, destinada a espécies puras, como o dourado, que se reproduzem em tanques circulares que simulam corredeiras.

A empresa comercializa, em média, 2 milhões de alevinos por ano, com mais de 10 espécies nativas do Pantanal, como pintado e pacu. Para os produtores, o sucesso da atividade depende diretamente de manejo adequado, planejamento e investimento em tecnologia. “A piscicultura precisa ser tratada como qualquer outra cultura agrícola. Se houver acompanhamento diário e planejamento, o retorno é garantido”, destaca o empresário.

Com mais de 40 anos de atuação no setor, Luía Corce afirma que a piscicultura deixou de ser vista com desconfiança e se tornou uma atividade promissora. A facilidade no acesso aos alevinos e a melhoria da logística contribuem para o crescimento do consumo de peixe em todo o país.

Além do aspecto econômico, a preservação das espécies nativas é uma preocupação constante. Mesmo com a preferência do mercado pela tilápia, o governo de Mato Grosso do Sul busca incentivar a produção de espécies locais, como pacu, pintado, dourado e tambaqui.

Na capital Campo Grande, a empresa Aquicultura JJ atua há cinco anos na fase intermediária da produção da tilápia. Em uma área de dois hectares, 36 tanques elevados abrigam cerca de 600 mil peixes juvenis por mês. Os alevinos vêm do Paraná e de Santa Catarina e são cultivados até atingirem cerca de 20 gramas, quando seguem para a fase de engorda em outras propriedades.

O engenheiro de pesca Alexandre Buzzi explica que o sistema de tanques elevados oferece vantagens como economia de água, melhor controle sanitário e maior eficiência produtiva. “É possível aumentar a densidade de cultivo e controlar possíveis doenças de forma individual, evitando a contaminação entre tanques”, afirma.

Apesar de ainda ser considerada uma atividade jovem em Mato Grosso do Sul, especialmente quando comparada a estados como Paraná e São Paulo, a piscicultura avança e se consolida como uma importante alternativa econômica e sustentável para o agronegócio estadual.

Foto do destaque: Edemir Rodrigues

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