A ultra maratonista Josy Madruga foi a convidada do programa Giro do Esporte onde compartilhou sua trajetória no esporte e as experiências em competições de longa distância em ambientes extremos, como desertos.Foto: Rogério Medeiros
A ultra maratonista Josy Madruga foi a convidada do programa Giro do Esporte onde compartilhou sua trajetória no esporte e as experiências em competições de longa distância em ambientes extremos, como desertos.Com mais de 15 anos de prática na corrida, Josy Madruga iniciou sua carreira esportiva no triatlo, modalidade que reúne natação, ciclismo e corrida. Após enfrentar a Covid-19 em 2021, decidiu reduzir o ritmo das três modalidades e focar exclusivamente na corrida de rua. Foi nesse período que surgiu o interesse pelas ultramaratonas, provas que ultrapassam os 42 quilômetros da maratona tradicional.
Segundo a atleta, a motivação para encarar desafios extremos está ligada ao desejo de superação pessoal. “É fazer o diferente, desafiar a si mesmo. Eu quero o extremo”, afirmou durante a entrevista.
A primeira grande prova internacional de Josy foi o deserto do Saara, onde enfrentou um percurso de 250 quilômetros. A experiência, segundo ela, consolidou a vontade de seguir competindo em ambientes ainda mais exigentes. “Ali eu vi: é isso que eu quero para mim”, relatou.
Mais recentemente, a atleta participou da ultramaratona no deserto da Namíbia, na África, com percurso de 120 quilômetros. Apesar de ser uma distância menor, Josy destacou que as condições foram ainda mais difíceis. A prova contou com cerca de 300 participantes e exigiu trabalho em dupla. Ela competiu ao lado de um atleta espanhol e a parceria resultou em um oitavo lugar na classificação geral.
As condições do deserto, especialmente as dunas de areia fofa, foram um dos principais desafios. Sem estrutura semelhante à disponível no Brasil, a preparação exigiu adaptação em treinos realizados em terrenos de terra fofa e foco em fortalecimento físico.
Durante a prova, Josy relatou momentos de dificuldade logo no início, com câimbras e desidratação nos primeiros 30 quilômetros. Em contrapartida, destacou a experiência do acampamento noturno como um dos pontos mais marcantes. “Dormir ao relento, vendo as estrelas, é uma sensação que fica na memória”, disse.
A atleta também chamou atenção para as exigências logísticas das ultramaratonas em desertos, como o uso de mochila com alimentação própria e a limitação de recursos, como água, que pode ser restrita a cerca de cinco litros por dia durante a competição.
Ao final da entrevista, Josy reforçou a importância da preparação física e mental, mas destacou que a principal exigência é a vontade de superar limites. “Você precisa treinar, focar no que quer e ir. Todos conseguem”, afirmou.
A participação da ultra maratonista foi encerrada com uma reflexão sobre o significado de concluir uma prova desse tipo. Para ela, mais importante do que a colocação é a chegada. “Não importa a posição. Concluir já te torna um vencedor.”
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