No último domingo (22), o programa AgroEducativa, da TV Educativa de MS, canal 4.1, apresentou a história de Nereu Rios, viveirista que já produziu mais de 1 milhão de árvores nativas do cerrado no quintal de sua casa. A reportagem com Elaine Silva, destacou o trabalho de preservação ambiental e conscientização sobre a importância das espécies nativas.
O cerrado é o segundo maior bioma da América do Sul, ocupando cerca de 22% do território brasileiro, com mais de 2 milhões de km². O bioma abriga três das maiores bacias hidrográficas do continente: Tocantins, Araguaia e São Francisco, além do rio da Prata. Com aproximadamente 1.600 espécies de árvores, apenas 30 delas representam metade de toda a vegetação arbórea, e algumas espécies raras possuem menos de 10 indivíduos registrados. As árvores do cerrado têm raízes profundas, casca grossa e resistência à seca, características essenciais para sua sobrevivência. No serradão, a área mais densa do bioma, as árvores atingem entre 8 e 15 metros de altura. Apesar de sua riqueza, o cerrado já perdeu cerca de 50% da vegetação original, e menos de 10% da área está legalmente protegida, colocando diversas espécies em risco.
A história de Nereu começou na infância, em meio à natureza e ao trabalho com horticultura. “Minha família é de moveleiros e marceneiros. Nos anos 70, havia incentivo ao desmatamento, e lembro de viagens com meu tio a Carapó e Naviraí, onde ele comprava áreas para tirar madeira. Nas férias, passava tempo na fazenda com minha avó e mexia com hortas. Essa conexão com a natureza vem desde menino”, conta o viveirista.
Hoje, o viveiro de Nereu, localizado em Campo Grande, cultiva mais de 100 espécies de árvores e palmeiras do cerrado, todas de forma orgânica. A família realiza uma ou duas expedições por ano pelos estados do Centro-Oeste e Sudeste — como Goiás, Tocantins, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais — para coletar sementes que abastecem o próprio viveiro, a Águas Guarioba e também parte comercializada.
“As expedições acontecem nos meses de agosto a outubro, período de maior produção de sementes. Passamos por Bonito, Jardim, Bodoquena, Goiás, Tocantins, Bahia e Minas Gerais, coletando sementes para nossos projetos e para comercialização”, explica Nereu.
O objetivo do projeto vai além da produção de mudas: busca conscientizar produtores rurais sobre a preservação do cerrado, reforçando a importância das espécies nativas para o meio ambiente, a medicina natural e a fauna local. Muitas árvores cultivadas no viveiro alimentam animais do bioma, enquanto outras produzem frutos com propriedades nutricionais e medicinais, como o macupari, o jatobá, a bocaiuva e a castanha do baru.
“Essas sementes são verdadeiros tesouros da vida. Por exemplo, o cedro rosa é coletado antes de abrir suas vagens, garantindo que possamos produzir em grande escala. Cada semente é como uma joia, e nosso trabalho é valorizá-las e multiplicá-las”, afirma Nereu.
O trabalho de Nereu Rios se mostra cada vez mais essencial para a manutenção da biodiversidade do cerrado, contribuindo para a preservação de espécies e para a consciência ambiental no país.
Confira:
Deixe um comentário