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ASSUNTO É CINEMA agora é um podcast e revisita “Moscou contra 007”

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O ASSUNTO É CINEMA agora é um podcast exclusivo do Spotify da Educativa MS. O próximo episódio esta disponível nesta quinta-feira (26), a partir das 20h. Apresentado por Claiton Sales e Daniel Rockenbach.

Acesse o Spotify da Rede Educativa MS neste link Aqui

NOTA E REVISÃO – Daniel Rockenbach

O ASSUNTO É CINEMA revisita “Moscou contra 007”, filme dirigido por Terence Young, lançado em 1963. A trama acompanha James Bond em uma corrida contra a Spectre em busca de um dispositivo decodificador que está em Istambul, na embaixada soviética. Enquanto Bond acredita que roubará a máquina para o ocidente, a Spectre manipula soviéticos e ingleses com o objetivo de tomar para si o dispositivo e, com isso, ter o poder de chantagear os dois lados.

O plano da organização é usar a agente soviética Tatiana Romanova como isca, uma vez que ela se passa por dissidente em busca de asilo. Ela oferece aos ingleses o Lektor, um decodificador de mensagens criptografadas. A condição dela é que o agente escalado para missão seja James Bond, o que escancara que a operação não passa de uma armadilha. Sem saber que é a Spectre por trás, e não os soviéticos, 007 parte para Istambul encontrar Romanova e o decodificador.

O roteiro de Richard Maibaum e Johanna Harwood adapta o quinto romance escrito por Ian Fleming, curiosamente a trama anterior a “Dr. No”, na ordem cronológica dos livros. O desfecho do romance “Moscou contra 007” apresenta um Bond dado como morto, esgotado e saindo de cena apenas para voltar, tempos depois, na Jamaica, seguindo uma pista sobre o Dr. No. Essa inversão na ordem das adaptações faz com que a continuidade entre os filmes estabeleça que a Spectre quer vingança contra Bond por ter eliminado um de seus mais perigosos agentes, o Dr. No.

A Spectre é o elemento que mais se desenvolve na adaptação de “Moscou contra 007”. Já na sequência de abertura o espectador vê um assassino silencioso perseguir James Bond nos jardins de uma mansão. Quando o matador sufoca seu alvo, logo se percebe que a vítima era outra pessoa disfarçada como o agente inglês e tudo não passava de uma simulação bastante realista do plano de vingança da organização. Enquanto no longa anterior a ideia era a de um vilão e seu plano maquiavélico, a sequência deixa claro que existe algo ainda mais sinistro manipulando tudo.

Blofeld, o sinistro agente n.1 da Spectre, só aparece de costas, comandando os agentes 5 e 3, o enxadrista Kronsteen e a dissidente Rosa Klebb. Ainda que seja apenas um coadjuvante no filme, Blofeld traz algumas assinaturas como seu gato branco ou hábitos extravagantes como criar peixes que se matam por território apenas para intimidar seus convidados. O personagem não é creditado no filme, mas é interessante perceber que existia uma preocupação em estabelecer um vilão para toda a franquia, algo que nos dias de hoje é comum em qualquer saga cinematográfica.

Outro elemento importante da produção é o compositor John Barry que agora assume sozinho a trilha dos filmes, tarefa que seguiu executando até 1987, deixando de participar de um ou outro filme. É ele quem faz a melodia da canção que dá nome ao filme, interpretada por Matt Monro nos créditos de encerramento. Ainda assim, não é dessa vez que uma canção embala a sequência dos estilosos créditos de abertura de Maurice Binder, algo que ficou para o próximo filme. Na trilha ainda vale destacar temas como “007” e “The Golden Horn”. A primeira inclusive é uma tentativa de Barry de emplacar outro tema principal. Por melhor que tenha ficado o resultado, a icônica composição de Monty Norman seguiu intocável como o grande tema do personagem.

Do elenco, este é o primeiro longa em que o ator Desmond Llewelyn interpreta o Major Boothroyd, o Q, aqui ainda apresentado como armeiro da divisão Q. Ele aparece em cena para entregar para Bond a maleta, a primeira de muitas das bugigangas tecnológicas que o agente usará em suas missões, estabelecendo outro grande clichê da franquia. A italiana Daniela Bianchi se destaca como a Bond Girl Tatiana Romanova, mas quem rouba a cena mesmo são os vilões. Rosa Klebb e Kronsteen interpretados por Lotte Lenya e Vladek Sheybal são caricatos como os agentes 3 e 5. A dupla e o assassino Donald Grant, interpretado por Robert Shaw, ajudam a estabelecer a Spectre como o grande adversário de Bond nos filmes interpretados por Sean Connery.

“Moscou contra 007” ainda traz um Bond mais próximo dos romances de Ian Fleming, mas com um ou outro elemento próprio que Connery e o diretor Terence Young trouxeram para o papel. As filmagens no lendário Expresso Oriente, em Istambul e em Veneza adicionam um padrão exótico de locações que a franquia passaria a ter como assinatura nos filmes seguintes.  Esse pode ainda não ser o Bond definitivo, mas figura fácil entre os clássicos da espionagem no cinema. “Moscou contra 007” está disponível com os demais filmes da franquia na Netflix.

Confira o trailer:

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