Os assentamentos rurais em Mato Grosso do Sul fazem parte da política de reforma agrária e têm papel fundamental no fortalecimento da agricultura familiar. O estado possui cerca de 200 assentamentos, onde vivem aproximadamente 29 mil famílias que atuam, principalmente, na produção de alimentos.
A equipe de reportagem esteve no município de Ponta Porã, na fronteira com o Paraguai, para conhecer um dos maiores assentamentos rurais do Brasil, tanto em extensão territorial quanto em número de famílias assentadas: o Assentamento Itamarati.
A área pertencia à antiga Fazenda Itamarati, de propriedade do empresário Olacyr de Moraes, conhecido como o “Rei da Soja”. Ele chegou a cultivar mais de 150 mil hectares do grão, mas, no início dos anos 2000, deixou o setor e vendeu a propriedade ao governo federal, que destinou a área ao programa de reforma agrária.
Com infraestrutura já instalada e grande potencial produtivo, a área garantiu lotes e assistência técnica aos pequenos agricultores. Hoje, o Assentamento Itamarati se destaca pela organização e pela produção diversificada, tornando-se referência nacional em agricultura familiar e desenvolvimento rural.
Um dos principais destaques é a pecuária leiteira. A família Brum, por exemplo, trabalha com 17 vacas da raça Jersey e produz cerca de 180 litros de leite por dia. Parte da produção é vendida para um laticínio da região e para a cooperativa do assentamento. Outra parte é utilizada na fabricação de queijo e doce de leite.
Outro ponto forte é o cultivo coletivo da soja, que apresenta boa produtividade, com média de 50 sacas por hectare. Além disso, a diversificação da produção tem sido uma alternativa para muitos agricultores. Brígido, por exemplo, optou por não investir no leite nem na soja e apostou no cultivo de verduras e legumes.
A fruticultura também tem ganhado espaço no assentamento. Mais de 50% dos agricultores já investem nesse segmento. Ademir Antunes é um exemplo dessa mudança: após trabalhar com culturas tradicionais, decidiu apostar no cultivo da banana, que tem apresentado bons resultados. Segundo ele, o manejo é simples, mas exige mão de obra constante.
Outros agricultores investiram em culturas de ciclo mais longo, como a pitaia. Para José, o cultivo da fruta se tornou mais do que uma atividade econômica: virou uma terapia. Já Silvio iniciou a produção há cerca de um ano e atualmente conta com aproximadamente 200 plantas.
Grande parte de tudo o que é produzido no assentamento tem destino certo: a Cooperativa dos Produtores do Assentamento Itamarati. A cooperativa viabiliza a comercialização de diversos produtos e atende consumidores da região. Quem passa pela rodovia pode visitar o mercadinho, que oferece produtos frescos diretamente do campo. No local, também funciona uma loja agropecuária, que fornece insumos aos cooperados.
Além disso, a cooperativa disponibiliza uma patrulha mecanizada para auxiliar os agricultores no preparo e manejo do solo. Todo esse trabalho coletivo fortalece a produção, garante mais segurança aos produtores e contribui para a qualidade de vida das famílias assentadas.
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