AgroEducativa

Boi Crioulo Pantaneiro: raça formada há 500 anos revela a capacidade de adaptação do gado às condições do Pantanal

Reportagem do AgroEducativa MS destaca a história, as características e a importância da preservação do patrimônio genético de uma raça genuinamente brasileira, adaptada às condições do bioma pantaneiro

Compartilhar
Compartilhar

Mais do que preservar uma raça bovina, conhecer o Crioulo Pantaneiro é compreender como o Pantanal moldou, ao longo de gerações, animais com características próprias de resistência, comportamento e adaptação. A história desse patrimônio genético brasileiro foi destaque na reportagem exibida pelo programa AgroEducativa MS no último domingo (1º), pela TV Educativa de Mato Grosso do Sul.

A história do gado Crioulo Pantaneiro começou há aproximadamente 500 anos, com a chegada dos primeiros bovinos trazidos pelos colonizadores europeus. Ao longo dos séculos, animais de origem espanhola, portuguesa e africana se cruzaram e deram origem a uma raça que encontrou no Pantanal as condições para desenvolver características específicas de sobrevivência.Durante cerca de 300 anos, esses bovinos viveram praticamente livres pelo bioma, com pouco contato com os seres humanos. Esse processo favoreceu uma intensa seleção natural, na qual sobreviveram os animais mais adaptados às condições ambientais da região.A resistência às longas estiagens, às cheias periódicas e à presença de predadores, especialmente as onças, contribuiu para o desenvolvimento de características físicas e comportamentais próprias.Com o avanço da pecuária, porém, a relação entre os animais e os produtores começou a mudar. A captura dos bovinos que viviam soltos no Pantanal era uma tarefa difícil, o que levou à introdução de animais domesticados, trazidos principalmente do litoral paulista para o interior da região.

Pesquisas genéticas comprovam a origem da raça

A história do Crioulo Pantaneiro também ganhou respaldo científico por meio de pesquisas genéticas realizadas em parceria entre universidades de Mato Grosso do Sul e instituições da Espanha.Os estudos identificaram a contribuição de bovinos da Península Ibérica, especialmente de Portugal e Espanha, além de raças de origem africana. A análise genética permitiu mapear a formação da raça e reforçar sua identidade como patrimônio bovino brasileiro, desenvolvido e consolidado no Pantanal.Segundo o pesquisador entrevistado na reportagem, a construção de um amplo banco de dados genéticos possibilitou comprovar a origem dos animais e identificar as contribuições das raças que participaram de sua formação.

Risco de desaparecimento e preservação

Apesar de sua importância histórica e genética, o Crioulo Pantaneiro esteve próximo do desaparecimento. Nas últimas décadas, a expansão da criação de Nelore e os cruzamentos entre diferentes raças reduziram significativamente a população de bovinos crioulos.Quando as pesquisas de recuperação e identificação desses animais começaram, há aproximadamente 24 anos, foram encontradas apenas cerca de 500 cabeças, um número que evidenciava a necessidade de ações voltadas à conservação da raça.

Características que diferenciam o Crioulo Pantaneiro

O Crioulo Pantaneiro apresenta características físicas e comportamentais que o diferenciam de outras raças utilizadas na pecuária brasileira, especialmente do Nelore.De origem taurina, os animais não possuem cupim, apresentam pelagens de diferentes colorações e membros relativamente mais curtos. Também são conhecidos pela docilidade e pelo comportamento atento ao ambiente, características importantes para a convivência com as condições naturais do Pantanal.Outro aspecto destacado pelo pesquisador é a qualidade da carne. Em comparação com a de bovinos zebuínos, a carne de origem taurina tende a apresentar maior maciez, marmoreio e intensidade de sabor.A preservação do Crioulo Pantaneiro representa, portanto, não apenas a conservação de uma raça histórica, mas também a manutenção de um patrimônio genético desenvolvido ao longo de séculos de adaptação a um dos biomas mais particulares do planeta.

AgroEducativa MS

O AgroEducativa MS é exibido todos os domingos, às 9h30, pela TV Educativa de Mato Grosso do Sul, com reprise às quartas-feiras, às 17h. A programação também pode ser acompanhada pelo YouTube.Apresentado pelo jornalista Osmar Bastos, o programa tem produção e reportagens de Elaine Silva. Semanalmente, a atração leva ao público informações e reportagens sobre o campo, sustentabilidade e desenvolvimento do agronegócio em Mato Grosso do Sul.

Confira:

 

 

Compartilhar

Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos Relacionados
AgroEducativa

Palma se destaca como alternativa para alimentação do gado durante a estiagem 

O programa AgroEducativa MS apresenta uma reportagem especial sobre a palma, planta...

Estudantes em aula prática de Ciências Agrárias em Mato Grosso do Sul
AgroEducativa

Ensino superior em Ciências Agrárias busca acompanhar as transformações do agronegócio em MS

Cursos voltados à produção rural, à tecnologia e à sustentabilidade preparam profissionais...

Brigadeiro de milho decorado para festa junina
AgroEducativa

Aprenda a fazer brigadeiro de milho para a festa junina

O quadro de culinária do AgroEducativa apresenta mais uma receita especial para...

Equoterapia em Campo Grande: Aluno interagindo com cavalo na Montana Academia Equestre.
AgroEducativa

Equoterapia: Onde nasce a confiança e a superação

O primeiro contato começa no chão. Antes mesmo de montar, os alunos...