Dor intensa, sensação de queimação, formigamento e lesões na pele. Esses são alguns dos sintomas do herpes-zóster, doença popularmente conhecida como “cobreiro” e que tende a se tornar mais frequente com o envelhecimento da população.
Segundo a Sociedade Brasileira de Imunizações e a Sociedade Brasileira de Dermatologia, mais de 90% dos adultos tiveram catapora ao longo da vida. Isso significa que carregam no organismo o vírus varicela-zóster, que permanece adormecido nos nervos mesmo após a recuperação da infecção.
Na prática, cerca de 9 em cada 10 brasileiros adultos possuem potencial para desenvolver herpes-zóster, caso esse vírus seja reativado.
O herpes-zóster ocorre quando o vírus da catapora, adquirido geralmente na infância, volta a se multiplicar após permanecer latente por anos ou décadas. A doença costuma provocar erupções dolorosas em uma faixa localizada do corpo, geralmente em apenas um dos lados do tronco, rosto ou pescoço.
Antes mesmo do surgimento das lesões, muitos pacientes relatam dor, coceira, sensibilidade ou sensação de choque na região afetada, que pode perdurar por muitos dias.
Desenvolvimento da doença
Embora a maioria da população carregue o vírus, apenas uma parte desenvolverá herpes-zóster. Estudos citados pelos Centers for Disease Control and Prevention e pela Organização Mundial da Saúde indicam que o risco ao longo da vida fica entre 20% e 30% da população geral, podendo chegar a aproximadamente 50% entre pessoas que alcançam idades mais avançadas.
Em outras palavras, entre aqueles que possuem o vírus latente, algo entre um em cada quatro e um em cada três indivíduos poderá desenvolver a doença em algum momento da vida.
O envelhecimento é considerado o principal fator associado à reativação do vírus. Com o passar dos anos, ocorre uma redução natural da eficiência do sistema imunológico, facilitando o despertar do vírus adormecido.
Também apresentam maior risco:
- pessoas com câncer;
- transplantados;
- pacientes com doenças autoimunes;
- pessoas em tratamento imunossupressor;
- indivíduos com imunidade comprometida por outras doenças.
Uma das complicações mais preocupantes do herpes-zóster é a neuralgia pós-herpética. Nesses casos, a dor permanece mesmo após o desaparecimento das lesões cutâneas. Segundo estudos internacionais, entre 10% e 20% dos pacientes podem desenvolver essa complicação, percentual que aumenta com a idade. Em alguns casos, o desconforto pode persistir durante meses ou até anos.
Especialistas observam crescimento gradual da incidência da doença em diversos países. O aumento da expectativa de vida faz com que mais pessoas atinjam faixas etárias em que o risco de reativação do vírus se torna maior.
Vacinação ajuda na prevenção
Atualmente existem vacinas capazes de reduzir significativamente o risco de desenvolver herpes-zóster e suas complicações. A imunização é recomendada principalmente para pessoas acima dos 50 anos e para grupos com maior vulnerabilidade imunológica, conforme avaliação médica.
Embora o herpes-zóster não seja uma doença nova, ele vem recebendo atenção crescente por causa do envelhecimento populacional e do impacto que pode causar na qualidade de vida. O fato de que mais de 90% dos adultos carregam o vírus da catapora mostra que a doença possui potencial para atingir uma parcela expressiva da população.
Por isso, especialistas reforçam a importância do diagnóstico precoce, do acompanhamento médico e das estratégias de prevenção, especialmente entre idosos e pessoas com imunidade reduzida.
Imagem gerada por I.A
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