NOTA E CRÍTICA – Clayton Sales
O ASSUNTO É CINEMA analisa “Truque de Mestre – O 3º Ato”, exibido nos cinemas. Ele conta a história de dois grupos de ilusionistas que se unem para derrubar uma organização criminosa que deseja por as mãos em na joia mais valiosa do mundo. Para isso, duas gerações de mágicos juntam suas habilidades: de um lado os veteranos Os Quatro Cavaleiros e do outro três jovens admiradores dos Cavaleiros.
Franquia de sucesso nas bilheterias, tem a direção desta vez de Ruben Freischer, que basicamente conseguiu corrigir a rota desviada pelo péssimo longa anterior. Apesar de inserir novos personagens, a trama se perdia completamente e transformou o legado do divertido primeiro filme em pastiche da pior qualidade. Desta vez, “Truque de Mestre – O 3º Ato” arrumou algumas coisas, especialmente no roteiro menos pretensioso e mais conciso, combinação que tornou o primeiro filme tão legal. As surpresas, elemento crucial nessa proposta, são mais convincentes, apesar de buracos narrativos abertos. Mesmo com o pretexto de deixar essas lacunas para uma possível nova sequência, na trama deste filme, torna a história irregular.
O grande atrativo em termos de atuações é a entrada da nova geração de ilusionistas, formada por três astutos mágicos. Na verdade, a trama inicia com a exibição de seus talentos ainda em maturação, o que atrai a atenção de Danny, o líder dos Quatro Cavaleiros. Então, a história segue uma toada simples, enxuta e sem grandes desafios narrativos. Ou seja, a produção apostou no trivial e, até certo ponto, foi feliz. Mérito de um roteiro de textos mais pragmático que deixa os méritos mirabolantes para os truques executados pelos protagonistas do filme. A aposta no regresso às características do primeiro longa da franquia foram tão intensas que a volta de figuras emblemáticas da primeira obra deram o tom nostálgico ao novo longa.
Tecnicamente, “Truque de Mestre – O 3º Ato” conseguiu construir cenários dinâmicos que permitem criar a atmosfera do ilusionismo. Para isso, o jogo entre o trivial e o surpreendente funciona muito bem como elemento que impulsiona a proposta central do filme. Roubar uma poderosa organização criminosa utilizando sofisticados e arriscados números de mágica é realmente uma ideia muito divertida. Ela comunica com o lúdico instalado em cada um de nós que foi criança e se encantou com esse tipo de espetáculo e o coloca na perspectiva da obra de ação. Dessa forma, fotografia, enquadramentos de câmera e movimentos em cena convergem para essa ideia motriz. O tônus da direção foi a agilidade para enganar nossos olhos e nossa percepção, embora com um desfecho previsível. Nessa dinâmica entra a adequada trilha sonora original de Bryan Tyler que cria nuances para as rápidas mudanças de perspectiva contidas no longa-metragem.
“Truque de Mestre – O 3º Ato” é um filme razoável, que entrega uma história bem mais convincente do que o antecessor da franquia, mas muito longe do extraordinário. A trama não passa de um clichê adaptado a esquetes de mágica de salão em grandes dimensões. Diante disso, a direção de Ruben Freischer tomou a correta decisão de carregar mais a produção com o que a saga cinematográfica tem de melhor. Apesar do risco dessa proposta de perder força com a gradual diminuição do poder de surpresa, ela ainda é capaz de divertir e deixa campo aberto para novas jornadas.
Assista o trailer:
Deixe um comentário