O Assunto é Cinema é um podcast produzido e apresentado pelos jornalistas Clayton Salles e Daniel Rockenbach. O programa fica disponível todas as quintas, às 20h (horário de MS), no Spotify da Educativa MS.
NOTA E CRÍTICA – Clayton Sales
O Assunto é Cinema analisa “Pânico 7”, filme dirigido por Kevin Williamson. Uma franquia que caminha para a longevidade mesmo diante das intempéries. A julgar pelas reviravoltas em sua existência, é possível dizer que se trata de uma verdadeira “fênix” do entretenimento e do terror. A prova é o mais recente filme lançado nos cinemas. Mas será que essa sobrevida é compensada com um bom resultado? “Pânico 7” traz de volta um novo assassino que usa a roupa e a máscara do Ghostface. O alvo desse criminoso é muito claro: Sidney Prescott, que mora em uma nova cidade onde reconstruiu a vida desde os traumáticos acontecimentos com outro psicopata Ghosface de anos atrás. Só que o passado retorna da pior forma. É a filha Tatum que vira alvo das ameaças do assassino. Então, Sidney fará de tudo para protege-la.
“Pânico 7” começa com uma boa grife, já que a direção ficou a cargo de um dos criadores da franquia, Kevin Williamson, que escreveu o roteiro ao lado de Guy Busick. A ideia parece ter sido recuperar o espírito das primeiras produções do final do século 20, apostando numa tentativa de revigoramento da franquia estimulada pela nostalgia. De fato, o enredo se esforça para restaurar a simplicidade dos filmes iniciais da saga, o que se manifesta no bom ritmo do novo filme, sem apelos a prolongadas cenas, indo mais direto ao ponto. Como era preciso olhar para frente, novos personagens com potencial de continuidade, velhas conhecidas recauchutadas em novos contextos e indícios de novas ideias foram lançados. Era um risco bem grande, principalmente pelas turbulências nos bastidores da produção. Trazer a final girl Sidney Prescott para o centro da trama foi a solução para amainar os percalços causados pela demissão de Melissa Barrera, afastada por se manifestar a favor da Palestina e contra o genocídio em Gaza, ato absurdamente interpretado como “antissemitismo” pelos donos da franquia. É a liberdade de opinião dos EUA mostrando todo seu vigor de farsa autoritária. Além dela, Jenna Ortega também deixou a saga e ambas eram as protagonistas da nova fase. Mas será que trazer Sidney Prescott de volta era suficiente? A resposta é não.
Se o roteiro é mais objetivo, sem tanta enrolação, isso não significa que seja eficiente. Na verdade, ele acaba nem servindo para apontar novas trilhas e nem para despertar sentimentos nostálgicos. A história é insossa, um mais do mesmo que parece usar a originalidade caricata dos primeiros filmes para escapar de um fracasso. Não consegue, principalmente porque há descuidos graves e desconexões comprometedoras com as ideias que fizeram a reputação da franquia. Ou seja, nem inovação, nem resgate. Esse limbo é preenchido com falta de emoção deixando o vazio dominar as expectativas. Nem os aspectos técnicos, como os movimentos de câmera e a fotografia, ajudam a tornar “Pânico 7” uma obra ao menos esteticamente atraente. O mesmo pode ser dito sobre as atuações. Nada de interessante permeia a performance de Neve Campbell como Sidney Prescott. A impressão é que os realizadores depositaram sobre ela todo o peso de salvar a agenda da franquia. No mínimo, podiam adornar essa perspectiva com uma trama mais inspirada, já que sempre houve espaço para experimentações.
“Pânico 7” é um filme fraco, com roteiro tedioso e direção que se contenta em trabalhar com a estrutura dos idealizadores da franquia. Enfim, uma obra acomodada na memória afetiva. Não que a franquia seja um primor, mas quando foi criada, ainda havia a aura de tributo a produções de terror com serial killers mascarados como Jason de “Sexta-Feira 13” de Vitor Miller e Michael Myers de “Halloween” de John Carpenter. Mas agora, quando a franquia carecia de mais audácia para avançar além do razoável filme anterior, cai na armadilha da nostalgia como muleta. Culpa dos problemas de bastidores? Também. Mas havia saídas melhores a curto prazo que, infelizmente, não foram aproveitadas. Resta aguardar a já confirmada sequência e torcer para que a saudade das origens não se transforme novamente numa bela arapuca.
“Pânico 7” está em cartaz nos cinemas.
Nota 4.
Confira o trailer do filme:
Ouça o episódio analisando “Pânico 7”, entre outras atrações, no Spotify da Educativa MS:
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